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Publicidade em Angola incentiva menores a consumirem bebidas alcoólicas

  • Agostinho Gayeta

A falta de rigor nas publicidades, nos meios de comunicação social e nos placares espalhados pelas diversas avenidas em Luanda, têm influenciado fortemente o consumo de álcool.

O psicólogo clínico Etelvino Dias dos Santos usa a “teoria da aprendizagem social” para explicar a facilidade que têm os seres humanos em aprenderem com o que veem.


Para o psicólogo clínico, os horários e locais inadequados para menores de idade em que são veiculadas as publicidades constituem num incentivo para o consumo de bebidas alcoólicas.

Para o professor de Markting e Vendas da Universidade Independente de Angola Arnaldo Tayengo o que acontece no país é uma publicidade mista (promoção e publicidade) composta por informação e estímulo ao consumo dos produtos (bebidas alcoólicas).

O especialista em Markting e Comunicação entende que a definição de horários para difusão de publicidades nos meios de informação pode ser encarada em duas perspectivas diferentes e controversas: comercial e social. Por um lado está a questão do consumo exagerado e do outro a problemática do emprego.

Para Arnaldo Tayengo é difícil chegar-se a um concenso sobre esta questão, principalmente no contexto africano. Porém, o especialista entende que é um problema vivido por grande parte dos países africanos, cujos governos devem com urgência definir um meio-termo para por cobro a esta situação.

É uma pergunta um pouco difícil de responder principalmente no contexto africano onde o sector publicitário é assegurado pelas produtoras de áudio. Se dissermos que devem cortar, então estamos não só a eliminar um sector, como também a criar muito desemprego, se dissermos que pode passar, também estamos a ferir a sensibilidade no que tocas as questões socias. É uma questão dos governos, falo de África, porque isto se passa em quase toda África...É uma questão dos governos e a empresas chegarem a um meio-termo, rematou.

Nos bairros periféricos em Luanda, por exemplo, é cada vez mais comum encontrar em média, dois a três pontos de venda de bebidas alcoólicas na mesma rua. O também Pedagógo Osvaldo Politano pensa que a par da proliferação dos postos de venda de bebidas a baixo preço, os efeitos psicológicos provocados pelas publicidades constituem um convite para compra.

A publicidade tem aquele efeito psicológoico e não deixa de ser um dos incentivos, até o prórpio preço em si. "O whisky, que eu me lembro que se vendia a um preço elevado, mas agora está muito mais barato", rematou.

A publicidade, segundo Arnaldo Tayengo, pesa entre 40 e 50 por cento em termos de influência no consumo de bebidas alcoólicas, mas o problema está no preço dos produtos. O especialista em Markting e Publicidade chama atenção para o baixo custo das bebidas feitas à base do álcool.

Outra questão preocupante prende-se com a ausência de publicidades dos sectores primários fruto da pouca produção interna. Esta situação faz com que o sector de bebidas alcoólicas ganhe espaço no mercado e dite as regras de jogo. Outro sim, segundo o analista, um dos grandes problemas tem a ver com o facto de a maior parte dos grupos empresariais estar mais preocupado com os lucros e não com as consequências.

É lógico de há empresários que primam por uma publicidade controlada, mas a maioria procura apenas o pelo lucro. Enquanto não se colocar um travão a esta situação veremos muitas coisas tristes. Por exemplo, "ao largo das escolas, em alguns casos, encontramos uma roulotezita", realçou.

O jurista M´bote André afirma não ser exequível definir horários para divulgação de produtos ou bebidas feitas à base de álcool. Para ele, a solução passa pela criação de uma moral de responsabilidade que se deve incutir.

Na análise desta questão, afirmar que a publicidade incentiva ou não, depende muito do grau de responsabiloidade que cada um tem. A partir do momento que eu souber que o álcool é prejudicial à saúde eu terei opção pela moderação, abstinência ou então bebeber exageradamenta mas saber que aquilo prejudica. Por isso a solução está na responsabilidação das pessoas, explicou.

O docente universitário Arnaldo Tayengo olha com alguma preocupação o consumo de bebidas alcoólicas em Angola em festas e convívios juvenis. Para o especialista em Markting e Vendas do ponto de vista das normas jurídicas sobre publicidades o país está bem, mas o "pecado" consiste na sua aplicação e na importação excessiva de bebidas.

Por outro lado, o consumo exagerado de bebidas alcoólicas pode baixar produção nacional e comprometer o desenvolvimento do país.

Além das consequências a nível da saúde humana, o álcool, droga lícita, tem provocado efeitos colaterais nesfastos para distintas famílias, instituições e para toda sociedade em geral.

A situação actualmente é ignorada pelos diversos actores sociais, mas o certo é que os mais afectados alegam ser urgente a tomada de uma posição ao mais alto nível do país. Segundo consta há pessoas que sem ingerir álcool, não conseguem trabalhar. Alguns alegam indisposição e falta de concentração quando não consomem a droga lícita. Não são poucos os casos em que consumidores de bebidas alcoólicas exageraram e comprometeram a sua competência na instituição em que labutam.

O psicólogo clínico Etelvino Dias dos Santos indica entre várias outras consequências a redução do prazer pela actividade laboral, o que põe em causa a produção nacional e o bem-estar social. A desestruturação familiar, o cometimento de crimes hediondos, o aumento da sinistralidade rodoviária e o abuso de menores juntam-se ao grupo de resultados negativos proveneintes da ingestão desregrada das drogas lícitas.

Etelvino Dias dos Santos interpreta as causas deste fenómeno como resultado da falta de normas jurídicas que regulam a realização de festas, a compra, o consumo e a quantidade de bebidas necessárias para cada ambiente festivo.
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