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Tensão militar reduz exploração de carvão em Tete

  • André Baptista

Multinacionais, médias e pequenas empresas fecham portas.

A crise político-militar e a queda do preço internacional do carvão meses atrás continuam a complicar a equação na indústria extrativa na província de Tete, no centro de Moçambique, o que tem agravado a degradação do tecido social com os despedimentos massivos.

Esta é a opinião de vários empresários e sindicalistas.

Além de desistências das multinacionais no negócio, que agora começam anunciar o regresso, as duas determinantes tornaram as empresas mineiras improdutivas, em virtude de os custos de produção não se acomodarem ao preço da oferta, mas também por dificuldades de escoar o carvão para o porto da Beira, no oceano Indico, na sequência da instabilidade militar, com ataques aos comboios da mineradora Vale Moçambique.

“O carvão não baixou ontem o preço. O estudo que a Vale Moçambique fez para a venda do carvão, estava na ordem dos 50 dólares por tonelada, e chegou a vender a 300 dólares. Agora baixou para 80 dólares, significa que a Vale ainda não está em perdas”, explica Fernando Raice, secretário provincial do Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Industria, Construção Civil, Madeiras e Minas (SINTICIM).

“O que esta em causa é a guerra que impede a cadeia das actividades para colocar o carvão no mercado”, precisou o sindicalista, afiançando que a situação está a afectar em cascata o tecido social na província, com o aumento do número de desempregados.

Ao lembrar das mudanças repentinas que fizeram Tete desenvolver de forma “notório e rápido”, Carlos Cardoso, presidente do Conselho Empresarial de Tete, assinalou que agora “a província é drasticamente afectada” pelo arrefecimento da indústria extrativa e o avanço da tensão político-militar, provocando um recuo económico degradante.

“O boom do carvão alicerçou a economia local e nacional, criando bases de nascimento de centenas de pequenas e médias empresas, mas a queda de preço e a situação da guerra vieram criar retrocesso e muitos embaraços”, declarou Cardoso, que reconheceu o esforço do Presidente moçambicano para o alcance da paz, mas apelou para um diálogo sério entre o Governo e a Renamo.

Dados do Centro de Emprego de Moatize indicam que das 34 licenças mineiras autorizadas pelo Governo, entre as multinacionais que dinamizaram a economia de Tete desde 2009, quando se registou a “explosão de carvão”, todas estão a “meio gás” e ou paralisadas, devido à conjectura do preço no exterior, associada à pressão político-militar no país.

A Vale retomou timidamente esta semana o transporte do carvão de Moatize para o porto da Beira, que sugere sinais alívio da conjectura, após vários meses de paralisação dos comboios na sequência de ataques as locomotivas, atribuída aos homens armados da Renamo.

O abrandamento da indústria extractiva e o conflito estão a afetar em cascata as pequenas e médias empresas que investiram em torno do carvão, nas áreas de prestação de serviços e logística para assegurar as operações, estando a maioria endividadas com os empréstimos bancários que fizeram para o começo da actividade.

O sector mineiro contribuiu com 59.3 por cento da receita global no exercício económico de 2015 em Tete, que continua a ser revista em baixa, na sequência de despedimentos massivos de operários no sector, com implicações graves na colecta de impostos de rendimento de pessoas colectivas e singulares.

Refira-se que nos últimos dias o preço do carvão a nível internacional tem vindo a aumentar.

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