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Rafael Marques diz haver cada vez menos liberdade em Angola

  • Redacção VOA

Rafael Marques, jornalista e activista cívico angolano (Arquivo)

Rafael Marques, jornalista e activista cívico angolano (Arquivo)

Jornalista e activista cívico angolano foi a Bruxelas falar do processo democrático angolano pos-eleições e não poupou críticas a governação do MPLA

O jornalista angolano Rafael Marques disse hoje a Voz da América que não está a espera que a União Europeia mude o que seja em Angola.

Marques esteve ontem no Parlamento Europeu para falar do processo democrático em Angola a seguir as eleições gerais de Agosto.

Para Rafael Marques há cada vez menos liberdade e condições de vida no seu país, e o poder está concentrado nas mãos do presidente da república, José Eduardo dos Santos...

O jornalista e activista cívico angolano confirmou que foi a Bruxelas a convite de eurodeputados que se mostram preocupados com a situação política e dos direitos humanos em Angola, entre eles a portuguesa, Ana Gomes.

“E foi em resposta a esse que fui à Bruxelas falar de Angola, porque é importante que haja um conhecimento ao nível dos fóruns internacionais sobre a realidade de Angola, para que não seja aquela apenas veiculada pela propaganda oficial.”

Marques diz que após as eleições gerais de Agosto último o panorama político angolano é cada vez mais pesaroso com menos liberdade e direitos. O jornalista adianta que o partido MPLA legitimou-se com umas eleições que serviram para distribuir as cartas de um novo momento político em que a oposição vai continuar a ser uma figura passiva.

“O registo eleitoral foi completamente manipulado, é só ver a matemática dos resultados, basicamente foi o MPLA como forma de pressão cedeu 16 deputados a UNITA e rearranjou o número de deputados que o resto da oposição detinha entre os diferentes partidos. O PRS que detinha 8 passou a deter 3, a CASA-CE que surgiu com muita força passou a deter 8 e a FNLA que tinha 3 passou a 2 e a Nova Democracia desapareceu.”

Rafael Marques diz que ainda assim o problema na está na nova aritmética dos assentos parlamentares, mas sim no jogo político que se desenhou com a actual constituição em que o presidente José Eduardo dos Santos, tornou-se no depositário de todos os poderes. Poderes esses sem balizas de separação.

“E são esses problemas que deviam ser abordados através de um debate sério e democrático em Angola que não estão a ser, porque não há espaço de debate em Angola. E mais, o exemplo clássico de que estas eleições foram apenas uma celebração da corrupção em Angola é o facto do presidente estar a fazer a transferência dos fundos do petróleo para a gestão privada do seu filho. Há menos liberdade de imprensa, há menos liberdade de manifestação, não há água em Luanda, não há luz em Luanda, o comboio Luanda-Malanje já raramente funciona, os grandes projectos feitos de reconstrução nacional pela China…temos a situação do Kilamba em que o próprio presidente já lá foi e reconheceu que é uma cidade fantasma.”

O jornalista e activista cívico angolano disse que deixa Bruxelas com o sentimento de dever cumprido e que não esteve ali com o propósito de sensibilizar a União Europeia a pressionar o jogo político em Angola.

Rafael Marques realçou que a mudança da situação política no seu país caberá aos angolanos e em último caso com o apoio de amigos de Angola e aqueles e que se identificam com a causa da democracia e dos direitos humanos.

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