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Profissionais de saúde moçambicanos queixam-se de represálias

  • William Mapote

Os profissionais de saúde moçambicanos denunciaram extraordinários cortes salariais como represália governamental pela adesão à greve registadas há cerca de dois meses.
De acordo com Jorge Arroz, Presidente da Associação Médica de Moçambique, os descontos em curso começaram a ser verificados nos ordenados do mês em curso e chegam até 90% do valor a que os médicos tem direito.

Os cortes atingem também os enfermeiros básicos cujos salários são inferiores a 200 dólares.
"Há médicos que chegam a receber dois mil Meticais (cerca de 66 dólares). Podemos dizer que estão a ser descontados 90% dos seus salários", denunciou Jorge Arroz em entrevista a jornalistas em Maputo.

Em contacto com a reportagem da Voz da América em Maputo, uma das vítimas, que não quis ser identificada, contou a sua história e a dos demais enfermeiros.
"O que está a acontecer no Hospital Central de Maputo é que estamos a ser descontados salários e quando procuramos saber dizem que é por ter participado na greve. Eu este mês recebi apenas 800 Meticais (mais ou menos 26 dólares)”.

Esta situação volta a colocar achas na tensão entre os profissionais de saúde e a direcção do Ministério da Saúde, situação que reflecte conflitos mal resolvidos.
Desde que a greve terminou, no início da segunda metade de Junho, na opinião pública falava-se da existência de uma greve silenciosa nos hospitais.

Apesar de não ter sido confirmada greve silenciosa, o facto é que para o presidente da Associação Médica, os profissionais da saúde estão descontentes, o que pode ser uma bomba relógio para o sistema.

"Os profissionais precisam ser acarinhados para exercer com brio a sua profissão. Caso isso não aconteça, estaremos a caminhar para a criação de um sistema moribundo", conclui Jorge Arroz.

Das autoridades do Ministério da Saúde, não conseguimos obter nem uma palavra sobre as denúncias.
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