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Procuradoria terminou interrogatório de jornalistas e trabalhadores de " O Crime"

  • Venâncio Rodrigues

Capa do jornal angolano "O Crime"

Capa do jornal angolano "O Crime"

Interpelações constantes a jornalistas atentam contra a profissão

Terminou hoje em Luanda a primeira ronda de interrogatórios aos jornalistas e trabalhadores do jornal “O CRIME”, ordenada pela Procuradoria Geral da República (PGR).

Eles podem voltar ao interrogatório a qualquer momento, segundo o director da publicação, Mariano Brás.

O Sindicato de Jornalistas diz que vai contactar a Associação Mão Livres para defender os acusados.

Os profissionais são acusados no crime de abuso da liberdade de imprensa, difamação e injúria, por terem estampado na capa do seu jornal imagens de figuras do governo e das Forças Armadas Angolanas (FAA) numa reportagem sobre o tráfico e venda de drogas.

Os queixosos são o chefe do Estado Maior da Forças Armadas, general Sachipengo Nunda, o ministro do Interior, Ângelo da Veiga Tavares e ainda o Procurador Geral das FAA, general Hélder Pitta Gróz.

As personalidades cujas fotos foram publicadas não são mencionadas no artigo.

O jornalista Mário Brás disse à Voz da América que publicou as imagens das figuras do governo e das FAA “para chamar à atenção destas entidades sobre o que estava a ocorrer”.

O Sindicato de Jornalistas Angolanos (SJA), manifesta-se solidário com os acusados e promete ajudar “no que for necessário” para garantir a assistência judiciária aos profissionais que começaram a ser investigados esta segunda-feira pela Direcção Nacional de Investigação e Acção Penal.

O secretário-geral adjunto do SJA, Teixeira Cândido admitiu a possibilidade de a Associação Mãos Livres vir a defender os trabalhadores daquela publicação.

A PGR está a investigar desde esta segunda-feira (8), o director do jornal “O CRIME”, Mariano Brás e todos os seus colaboradores, incluindo secretárias, o que para o sindicato é uma atitude “bastante estranha”.

Teixeira Cândido sustentou que as constantes interpelações de jornalistas inibem o exercício da profissão em Angola.

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