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Prisão de Eduardo Cunha não resolve todos os problemas da corrupção no Brasil

  • Patrick Vaz

Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados do Brasil

Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados do Brasil

Analistas dizem que donos de construtores são as principais fontes de informação.

A prisão do ex-presidente da Câmara dos Deputados do Brasil Eduardo Cunha continua a dar que falar, mas especialistas acreditam que um acordo com a justiça pode não ser suficiente para desmontar a corrupção dos políticos.

Cunha afirmou não ter interesse numa eventual delação premiada ou seja acordo com a justiça.

O cientista político Malco Camargos avalia que a delação do ex-presidente não é mais importante do que as confissões dos empreiteiros, donos das construtoras envolvidas na Operação Lava Jato, que podem, sim, podem estremecer a política brasileira.

“A delação das pessoas ligadas às empreiteiras Odebrecht e OAS, dos empreiteiros que lidam com políticos em diferentes esferas dos níveis estadual, municipal e federal e lidam também com todos os partidos no Brasil é muito mais capaz de produzir resultado que leve de facto à punição de alguns desses parlamentares do que de apenas a delação de um único político, apesar de já estar provado seu envolvimento com a corrupção”, considerou Camargos, para quem cunha ficará na história “por ser alguém que demorou muito a pagar pelos seus pecados e que foi o responsável pelo encaminhamento do processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff”.

Aquele analsita também chama a atenção para o envolvimento da família de Eduardo Cunha na política e acredita que informações importantes devem ser passadas à Lava Jato pelas pessoas mais próximas ao político, como a própria esposa dele, a jornalista Claudia Cruz, e a filha.

Entretanto,as informações divulgadas pela justiça de que Eduardo Cunha estaria atrapalhando de alguma forma as investigações e que poderia fugir para outro país, uma vez que tem dupla cidadania (brasileira e italiana), podem dificultar o trabalho da defesa dele que vai solicitar um habeas corpus.

“A avaliação ou não da concessão desse habeas corpus é difícil a gente avaliar, mas pelo que a gente pode ver dessa decisão e parece que esse processo não está sob sigilo, ela aponta fundamentos concretos. Dizer se está certo ou não o entendimento é um juízo de valor, mas sem dúvida alguma, o facto de você apontar elementos que indicariam que o investigado, quem um réu num processo criminal desta magnitude de algum modo estaria procurando testemunhas, tentando atrapalhar de algum modo as investigações, isso sem dúvida aumenta o grau de dificuldade de um habeas corpus”, avaliou o criminalista Leonardo Sales.

A cela em que Eduardo Cunha está, na superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, foi escolhida segundo um critério interessante.

Ela fica na ala dos considerados não colaboradores, ou não delatores, onde também está o ex-ministro petista António Palocci, acusado de receber luvas da empreiteira Odebrecht.

A carceragem paranaense tem uma segunda ala, onde os policias colocam os que chamam de colaboradores ou potenciais colaboradores, onde atualmente estão o presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, e o doleiro Alberto Youssef, o primeiro delator da Lava Jato.

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