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Presos na Huíla não têm advogados

  • Teodoro Albano

Prisão no Lubango está superlotada

Mais de 90 por cento dos reclusos detidos na cadeia central da Huíla não têm advogados.




A constatação é da associação de defesa dos direitos humanos, Mãos Livres, que tem na agenda a inversão desta realidade através do patrocínio judiciário. Entretanto as dificuldades de âmbito financeiro na organização impedem para já a acção prática do projecto.

O coordenador da Mãos Livres na região, Jeremias Simão, disse a Voz da América que o número actual de advogados a disposição da organização limita a intenção de fazer mais pelos desfavorecidos.

“ Quase 99 por cento deles não têm advogados. É claro que 50 por cento dos que estão presos não têm capacidade para constituir um advogado, estamos a falar de cerca de quinhentos e tal presos que não têm capacidade para constituírem advogados. Quinhentos e tal para um horizonte de dois advogados que a Mãos Livres tem que são o Dr. David Mendes e Afonso Mbinda os restantes estamos a tentar receber estagiários, mas não é possível porque acarreta enormes despesas,” disse Simão.

A sobrelotação da cadeia central da Huíla que recebe perto de mil reclusos, contra os cento e vinte para a qual está concebida inquieta também a organização de defesa dos direitos humanos.

Para Jeremias Simão a reforma prisional que passaria pela substituição da prisão do detido pelo trabalho social poderia ser uma alternativa.

“ Devíamos oferecer a esses detidos o trabalho social. Podia estar a trabalhar na limpeza no hospital central na maternidade nas nossas ruas que estão extremamente sujas. Alguém que desobedece uma orientação de estado ao invés de estar na cadeia fica em casa, mas das 8h às 18h tem esse trabalho de estar na rua para ser educado socialmente,” sugeriu
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