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Presidente angolano apela à diversificação da economia

  • Alvaro Ludgero Andrade

Santos reconhece que as receitas do petróleo não serão suficientes para financiar o desenvolvimento do país.

O presidente angolano José Eduardo dos Santos disse ontem, 21, na reunião do Conselho de Ministros em Lobito que o país deve diversificar a sua economia porque os recursos provenientes do petróleo não são suficientes para financiar o desenvolvimento de Angola.

Santos segue assim recomendações de organizações internacionais e especialistas que há muito defendem a diversificação da economia angolana devido à projectada redução da exploração do petróleo e do custo do produto.

A economia angolana precisa de se diversificar, deixando de apostar apenas no petróleo, defendeu a revista britânica The Economist, num artigo publicado a 12 de Abril deste ano.

O artigo analisou os principais acontecimentos dos últimos anos, lamentou as dificuldades sentidas pelos empresários estrangeiros, e elogiou o país pelos progressos. O texto termina, no entanto, com a ideia de que a criação de emprego, que a nova geração angolana e a classe média vão exigir aos governantes, não pode ser assegurada apenas pela indústria petrolífera.

O artigo mostra a modernidade de Luanda em contraste com o abrandamento no crescimento económico, e afirma que a economia não deve crescer muito além de 5 por cento.

O The Economist considera ainda que a previsão de chegar à produção de 2 milhões de barris de petróleo por dia a curto prazo é "irrealista". Por isso, salienta que o Governo de Luanda deve fomentar a diversificação da economia para além do petrolífero que representa 97% das exportações e quase 80% das receitas do Estado.

Em Maio, vários especialistas ouvidos pelo jornal angolano "Expansão" avisaram que a situação pode tornar-se preocupante depois de o Fundo Monetário Internacional (FMI) ter dado conta de que a economia angolana irá assistir a uma diminuição do seu crescimento em 2017 devido à diminuição da produção petrolífera de 1,9 milhões de barris diários em 2016 para 1,77 milhões no ano seguinte.

Ontem, 21, ao falar Santos na Comissão Económica do Conselho de Ministros em Lobito, o presidente José Eduardo dos Santos reconheceu também esse perigo e defendeu a diversificação da economia de modo a substituír as importações de produtos.

Santos apontou caminhos para atingir esse objectivo: produtos de boa qualidade e a preços mais baixos, ter boas vias de comunicação, água, energia, boas telecomunicações, força de trabalho qualificada. O chefe de Estado angolano defendeu também uma boa política fiscal e cambial.

No início desta semana, a agência de classificação Standard & Poor’s reviu em baixa a previsão de crescimento de Angola de 8,00 para 4,5 por cento este ano e manteve em “estável” a avaliação que faz da notação de risco do país, de acordo com o mais recente relatório sobre o país.

No relatório, que mantém a avaliação do país em BB-/B, lê-se que “as receitas de petróleo de Angola vão continuar a sustentar uma carga fiscal relativamente baixa e a ajudar a lidar com as fraquezas institucionais, os riscos de sucessão política e a falta de desenvolvimento para além do sector petrolífero.”

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