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Portunhol, a língua oficial do Mundial

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Espírito do Mundial com a famosa vuvuzela. O Campeonato Mundial de Futebol realiza-se entre 12 de Junho a 13 de Julho. Brasil 2014

Espírito do Mundial com a famosa vuvuzela. O Campeonato Mundial de Futebol realiza-se entre 12 de Junho a 13 de Julho. Brasil 2014

Mundial tem sido um grande festival da boa vizinhança e a língua “oficial” nas ruas brasileiras é o bom e velho portunhol.

Os argentinos fecharam a praia de Copacabana e levaram até um sósia do papa para abençoar a sua selecção. Os colombianos pintaram as arquibancadas do Mineirão completamente de amarelo. Os chilenos transformaram a Arena Pantanal numa embaixada do país e, em uníssono, cantaram o hino nacional à capela. Os mexicanos superaram um dilúvio em Natal e viram a sua equipa vencer um jogo difícil. O Equador ainda nem entrou em campo, mas já arrastou mais de 10 mil pessoas para a pequena Viamão, no Rio Grande do Sul enquanto os hondurenhos tiveram festa semelhante em Porto Feliz (SP).

O Mundial começou e deu largada a uma invasão latino-americana às cidades e estádios brasileiros. Até agora, o evento, o primeiro na América Latina desde 1986, tem sido um grande festival da boa vizinhança e a língua “oficial” nas ruas brasileiras é o bom e velho portunhol.

Havia um grande temor de que o encontro, principalmente entre argentinos e brasileiros, descambasse para a violência por causa da rivalidade histórica entre os dois países. À excepção de um incidente em Belo Horizonte, onde um argentino teve o dedo quebrado após um ataque de locais, os contactos têm sido todos festivos e amigáveis.

Esta é a Copa com o maior número de selecções latino-americanas na história, nove, quase um terço de todos os classificados: Brasil, Argentina, Uruguai, Chile, Colômbia, Equador, Costa Rica, México e Honduras.

E o apoio da torcida tem ajudado algumas delas a conseguir bons resultados. Além do Brasil, que jogando em casa, venceu a Croácia na estreia, o México superou Camarões (1 a 0), a Colômbia venceu a Grécia (3 a 0), o Chile bateu a Austrália (3 a 1) e a Costa Rica humilhou oo Uruguai (3 a 1), o primeiro duelo entre latinos até aqui.

Argentina, Equador e Honduras ainda não estrearam.

Até o papa foi ao Rio

Menos de um ano depois do Papa Francisco visitar as praias cariocas na Jornada Mundial da Juventude, ele deu o ar de sua graça outra vez. Ou ao menos uma das suas cópias não-autenticadas. O papa fake foi só um dos cerca de 15 mil argentinos (nas estimativas conservadoras) que chegaram ao Rio de Janeiro para a estreia da selecção no Maracanã, contra a Bósnia, neste domingo.

O inferno vermelho chileno no Pantanal

Os jornais do Chile reclamaram do calor de Cuiabá e chegaram a chamar a cidade de "inferno". Os torcedores trataram de colorir a figura de linguagem e pintaram a Arena Pantanal de encarnado contra a Austrália. Também deram continuidade àquele que tem sido um dos momentos mais aguardados nessa Copa: o hino nacional à capela. Como a Fifa cortou a canção pela metade, as bancadas sustentaram o tom em comunhão com os jogadores, um espectáculo que os adeptos brasileiros também protagonizaram na abertura do Mundial.

A febre amarela da Colômbia no Mineirão

Parecia jogo do Brasil, mas as bancadas completamente amarelas do Mineirão estavam lá por causa da Colômbia. Mesmo sem Falcao Garcia, os conterrâneos de Shakira não diminuíram a empolgação e tomaram as ruas de Belo Horizonte desde o dia anterior.

Um grupo de senhores chegou à capital mineira após 17 dias a pedalar desde Bogotá. E eles prometem acompanhar a selecção do mesmo jeito aonde ela for. A peregrinação e o fervor colombiano no Brasil têm uma explicação: o país não participa de uma Copa do Mundo desde 1998.

A surpresa dos ticos

Os costarriquenhos eram minoria quando a sua selecção foi ao Castelão enfrentar o favorito Uruguai. Mas a festa que fizeram foi inesquecível, fruto de um resultado histórico e completamente inesperado. O 3 a 1 sobre o Uruguai foi o primeiro revés de uma selecção latina na competição, mas como foi para outro país que também fala espanhol, ficou tudo em casa.

Os centro-americanos foram acolhidos pela torcida brasileira em Fortaleza que cantava "Ah, é Costa Rica!" para empurrar o time azarado. Embora o grito não tenha sido completamente compreendido pelos visitantes, a festa já estava feita.

... e um fantasma no Uruguai

Não se pode falar de um Castelazzo, mas a torcida celeste que encheu o estádio de Fortaleza não esperava uma derrota humilhante para a Costa Rica, na primeira partida da Copa. O fantasma de 1950 agora assombra os seus conterrâneos que já estão ameaçados de cair na primeira fase.

Equador e Honduras no interior

Eles ainda não entraram em campo, mas estão em comunhão com a população das cidades que escolheram para treinar. Os equatorianos arrastaram milhares de pessoas em Viamão (RS) e receberam uma calorosa recepção. Levaram os gaúchos à loucura ao tremularem a bandeira do Estado em praça pública.

Já os simpáticos hondurenhos, que não devem fazer nada muito especial dentro dos campos da Copa, fizeram festa com os habitantes da pequena Porto Feliz, no interior de São Paulo. Sambaram, jogaram capoeira e distribuíram sorrisos no princípio da sua estada na cidade. Como prova da tradicional hospitalidade brasileira, um garotinho da cidade levou lanches para jornalistas brasileiros e hondurenhos que faziam guarda na entrada do hotel da selecção.
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