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População volta às ruas contra o presidente no Burundi

  • Redacção VOA

Cidadãos manifestam-se contra a terceira candidatura do Presidente Nkurunziza.

A capital do Burundi, Bujumbura, foi palco nesta segunda-feria, 4, de uma nova onda de protestos. Parte da população é contra a decisão do presidente Pierre Nkurunziza de concorrer a um terceiro mandato. Os manifestantes afirmam que irão continuar nas ruas até que o presidente desistir da candidatura.

Centenas de manifestantes cantaram o hino nacional em uníssono, enquanto um esquadrão da polícia assistia aos protestos na capital Bujumbura.

Os manifestantes empunhavam cartazes com frases como “Não à violência” e “Respeitem o acordo de Arusha e a Constituição”.

A polícia, mais uma vez, impediu que os manifestantes marchassem até o centro da cidade, o que os fez com que os cidadãos bloqueassem as ruas com pedras e fogueiras. A densa fumaça podia ser vista a partir de qualquer lugar da capital.

Os protestos de hoje foram retomados após uma pausa de dois dias.

A presença da polícia em quase todas as ruas da capital não impediu que os manifestantes demonstrassem a sua insatisfação. Um estudante disse que ele continuará a protestar até que o Presidente Pierre Nkurunziza retire a sua candidatura a um terceiro mandato

“Eu vim aqui para expressar o que está no meu coração. Eu sou contra o terceiro mandato do Presidente Nkurunziza. Nós não o queremos, ele tem que sair. Se ele não se retirar do poder, nós não vamos sair das ruas”, disse.

Um dos organizadores do protesto afirmou que a polícia está a utilizar demasiada força contra os participantes. Ele afirma que os manifestantes estão a protestar de forma pacífica e respeitosa, mas que, em troca, recebem tiros. Segundo ele, os participantes não estão armados, enquanto a polícia tem armas e gás lacrimogêneo.

De acordo com um grupo da sociedade civil, pelo menos nove pessoas morreram desde que os protestos começaram na semana passada.

Alguns manifestantes dizem ter medo de que as milícias pró-Nkuzunziza estejam a marcar quem são os que se encontram nas ruas e planear retaliações futuras, como diz este jovem.

“Essas milícias são aliadas do presidente e estão vestidas com uniformes da polícia, nós as conhecemos. Nós vimos alguns a tirar fotos e depois a correr. Mais tarde, eles virão para nos matar", denunciou um dos manifestantes.

Os conflitos começaram a 26 de Abril após o Presidente ter anunciado a sua candidatura a um terceiro mandato, uma decisão que os críticos afirmam violar a Constituição do país e o acordo de Arusha, assinado em 2002 e que pos fim à guerra civil no Burundi.

Nkurunziza assumiu o poder em 2005. Os seus apoiantes defendem, no entanto, que ele pode concorrer novamente porque, no seu primeiro mandato, ele foi eleito pelo Parlamento e não directamente pelo voto do povo.

Os protestos fazem renascer o medo de uma nova guerra civil no Burundi.

O chefe de Estado Maior das Forças Armadas Prime Niyongabo disse a repórteres ontem que o exército não irá interferir no processo político porque este não é seu papel e aconselhou os soldados a permanecerem calmos e unidos.

A maioria dos estabelecimentos continua fechada e as ruas estão desertas.

A polícia afirma ter detido pelo menos 600 pessoas desde o início dos protestos, na semana passada.

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