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População de Zimpinga foge depois de incidentes com a Renamo

  • André Baptista

Imagens obtidas depois dos incidentes de sexta-feira passada

Imagens obtidas depois dos incidentes de sexta-feira passada

António Muchanga diz que Dhalakama está bem.

A população de Zimpinga, em Moçambique, está a fugir da zona onde foi emboscada a comitiva do líder da Renamo, Afonso Dhlakama na passada sexta-feira por medo de represálias da ala militar do partido depois da informação estatal ter imputado aos residentes o incendiamento das viaturas da Renamo.

As viaturas foram carbonizadas às 18 horas da passada sexta-feira, poucos minutos depois que uma carravana militar, que tinha recolhido a tropa distribuida pela mata da zona dos confrontos ter passado no local onde permaneciam as viaturas e as vitimas do ataque, disseram testemunhas à VOA.

“Isso é um perigo, o Governo está a nós vender. Porque a Renamo pode voltar aqui dizer que vocês queimaram nossos carros, os militares (governamentais) estavam aqui e vocês não nós informaram, estavam em combino”, disse Lázaro Guente, que com uma bicicleta carregava as trochas de casa para um novo bairro.

A população que se encontrava no raio do ataque, contou Lázaro Guente, foi evacuada pela guarda da Renamo durante os confrontos, para evitar baixas de cívis, tendo um grupo militar escoltado as familias até uma comunidade próxima.

“Quem teria a corragem de entrar no meio da tropa (governamental) e queimar carros?”, questionou Mateus Francisco, que considera o posicionamento da Polícia sobre a “fúria popular” ser severamente penalizante a população daquela região.

Informações não confirmadas indicam que Afonso Dhlakama terá regressado a pé, após a emboscada de sexta-feira, à chamada "parte incerta", na Serra da Gorongosa (Sofala), à semelhança do que fez durante dois anos, no último conflito entre Governo e Renamo e que só terminou em setembro de 2014.

O porta-voz da Renamo, Antonio Muchanga assegura que “ele está no mato, bem de saúde”, sem revelar a exacta localização.

Entretanto a direcção do Hospital Provincial de Chimoio (HPC) assegura que 11 dos 12 corpos, vitimas do incidente do dia 25, que deram entrada na morgue ainda não foram reclamados, quer pelo partido, quer pelos familiares.

“Apenas um corpo foi reclamado e o funeral foi realizado domingo. Os restantes 11 corpos mantém-se na morgue e aguardam procedimentos”, disse Albino Alface, responsável da morgue, adiantando que passados 21 dias as autoridades municipaís se encarregarão de depositar os corpos numa vala comum.

Este é o segundo incidente em menos de duas semanas que envolve o líder da Renamo, depois de no passado dia 12 de setembro, a comitiva de Dhlakama ter sido emboscada perto do Chimoio, também na província de Manica, num ataque que atribuiu às forças de defesa e segurança.

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