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Política aquece e "torcida" também

  • Alvaro Ludgero Andrade

Tocha Olímpica no Boulevard Olímpico, Rio de Janeiro

Tocha Olímpica no Boulevard Olímpico, Rio de Janeiro

Casa Brasil e Bouvelard Olímpico mostram a outra cara do Rio-2016

A cinco dias do fim dos Jogos Olímpicos, a agenda desportiva parece começar a dar lugar à agenda política, com a notícia da abertura de um inquérito determinado pelo Supremo Tribunal Federal à Presidente afastada Dilma Rousseff, ao ex-Presidente Lula da Silva e a dois antigos colaboradores dos líderes do PT por obstrução da justiça na operação Lava Jato. O pedido foi formulado pelo Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, em Maio.

A notícia vem a público no dia em que se sabe que Dilma Rousseff começará a ser julgada pelo Senado no dia 25 e que o processo deverá ser concluído ainda na última semana de Agosto. Depois de ter recebido 59 votos a favor durante a votação da acusação, muito dificilmente a oposição não conseguirá os 54 votos necessários que determinarão a impugnação e consequente cassação do mandato de Rousseff.

Dilma Rousseff e Lula da Silva

Dilma Rousseff e Lula da Silva

A partir de então, tanto ela como Lula da Silva, ambos sem nenhum tipo de imunidade, deverão responder a vários processos na justiça. Entretanto, a temperatura poderá aumentar e já é visível em alguns locais de concentração de público, como no Boulevard Olímpico e nos complexos desportivos, pessoas com dísticos Fora Temer, o que pode antecipar protestos já a partir da próxima semana, ou seja depois de concluídos os Jogos Olímpicos.

A propósito, o Presidente em exercício já a anunciou que não estará na cerimónia de encerramento do Rio-2016 no domingo, um claro sinal de que pretende evitar protestos e não ser apupado como aconteceu na abertura dos Jogos.

Casa Brasil, Rio de Janeiro

Casa Brasil, Rio de Janeiro

II. Casa Brasil

Localizado na Pier Mauá, no centro do Rio de Janeiro, a Casa Brasil é um espaço acolhedor, imponente, mas sóbrio, que mostra ao visitante um Brasil histórico, cultural, tecnológico, desportivo e como mercado de investimentos. Cerca de 15 mil pessoas, entre brasileiros e estrangeiros, passam por aí diariamente e através de painéis, fotos, exposições, peças de artesanato e comida típica sentem as potencialidades desse “continente”, enquanto podem descansar nas típicas redes brasileiras e apreciar desde o voz e violão a uma orquestra.

Casa Brasil, Rio de Janeiro

Casa Brasil, Rio de Janeiro

A simpatia das pessoas marca, mas também os sinais de uma eterna potência que teima em marcar passo como um todo, mas que vai conseguindo chegar a novos patamares, em várias áreas. A localização é outra vantagem porque aponta para outro espaço, especialmente montado para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos.

III. Boulevard Olímpico

A partir das 13 horas e até as pernas aguentarem, o Bouvelard Olímpico, ao longo do porto e da Praça Mauá, é o espaço preferido de milhares de brasileiros e turistas. Lugar histórico, rodeado de barzinhos e restaurantes, agora tem a área dos “trucks” para venda sanduiches, empanadas, hamburgures, etc., com fácil acesso através do novo meio de transporte VLT, uma moderna versão do clássico eléctrico.

Boulevard Olímpico, Rio de Janeiro

Boulevard Olímpico, Rio de Janeiro

No Palco Tendências, pode-se ver durante a tarde e noite grandes artistas, como ontem a Elba Ramalho, assitir jogos através de écrans gigantes no meio de milhares de pessoas e andar, andar e andar ao lado do mar. Há muitas outras atracções, que têm levado famílias inteiras a esquecer que é inverno e que há por aí um mosquito que transmite o virus zika.

Caipirinha no Boulevard Olímpico, Rio de Janeiro

Caipirinha no Boulevard Olímpico, Rio de Janeiro

Mas a grande atração é, sem dúvidas, a tocha olímpica, ou pira, como dizem os brasileiros. Sempre acessa, não há iphone ou câmera fotográfica que não dispare quando passa por aí.

IV- Público vs Torcida

O público brasileiro tem sido alvo de críticas pelo seu comportamento que, na verdade, nem sempre tem acompanhado o espírito olímpico. O próprio presidente do Comité Olímpico Internacional Thomas Bach condenou essa atitude e a imprensa estrangeira também.

“Comportamento chocante do público que assobiou Renaud Lavillenie no pódio. Inaceitável em Jogos Olímpicos”, lê-se na mensagem de Bach reproduzida na conta oficial do COI no Twitter.

Público brasileiro no Boulevard Olímpico, Rio de Janeiro

Público brasileiro no Boulevard Olímpico, Rio de Janeiro

Na verdade, depois de ter estado em quatro eventos desportivos mundiais, tem chamado a minha atenção a “torcida” demasiado futebolística dos brasileiros, nada condizente com o espírito olímpico e com a conhecida simpatia dos brazucas. Tem sido uma nota dissonante, embora muitas vezes essa mesma torcida tenha sabido reconhecer os heróis.

Neste particular, Usain Bolt é o grande alvo da tietagem (idolatria) dos brasileiros. Por alguma razão, Neymar disse que estava desejoso de chegar aos Jogos Olímpicos para encontrar-se com Bolt. Até agora, desconhece-se se os dois já se avistaram.

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