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Polícia moçambicana nega ataque a mina de Afonso Dhlakama

  • André Baptista

Porta-voz reconhece ter feito incursão para evitar actividades ilegais.

A Polícia moçambicana em Manica negou nesta quarta-feira, 21, o assalto ao estaleiro da empresa mineira SOCADIV, de Afonso Dhlakama, líder da Renamo, mas admite que tenha feito uma operação para a normalização da actividade em Barué, visando impedir o saque de pedras preciosas.

A 20 de Agosto, de acordo com relatos de testemunhas à VOA na altura, as Forças de Defesa e Segurança entraram no estaleiro pertencente ao líder do maior partido da oposição e levaram quantidades de turmalinas e quartzo que estavam ali armazenados

Dhlakama notificou em carta o ministro dos Recursos Minerais e Energia, Pedro Couto, sobre o incidente, mas não comentou o assunto com a imprensa.

Elsidia Filipe, porta-voz da Polícia de Manica, recusou hoje, em entrevista solicitada há um mês, que as Forças de Defesa e Segurança tenham ocupado a mina da SOCADIV, mas admitiu que a corporação realizou acções nas proximidades da empresa e nutras minas para evitar o roubo de turmalinas e quartzo aí explorados.

“De forma concreta não assaltamos a mina desta empresa, mas realizamos operações no distrito de Barué, em Nhampassa, para evitarmos actividades ilegais que por vezes têm tido o envolvimento dos homens armados da Renamo, que se misturam com a população”, revelou Filipe.

Em Julho, o Governo, através da Inspeção geral dos Recursos Minerais e Energia, mandou encerrar uma mina de pedras preciosas de Afonso Dhlakama, no distrito de Báruè, na província de Manica, alegadamente por falta de cumprimento de obrigações fiscais.

A Socadiv, firma que explora turmalinas no distrito de Barue, actual palco de violentos confrontos entre as forças governamentais e o braço armado da Renamo e com emboscadas a colunas de viaturas escoltadas pelo exército, foi multada em 2015, por questões de segurança e falta de pagamento de impostos, após um incidente que matou um garimpeiro e feriu outros seis.

Um analista académico local adiantou que o encerramento da mina de Afonso Dhlakama sugere uma medida de ensaio de corte de logística da guerrilha, que desde o inicio do ano tem vindo a realizar incursões militares para reivindicar a governação em seis províncias onde diz ter ganho as eleições de 2014.

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