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Polícia impede marcha da FNLA para lembrar a repressão da Baixa de Malanje

  • Isaías Soares

Marcha da FNLA em Malanje, 4 de Janeiro, 2016, Angola

Polícia alegou falta de autorização, mas não deteve ninguém.

A Polícia Nacional de Angola proibiu uma marcha automóvel organizada por militantes daFrente Nacional de Libertação de Angola (FNLA) nesta quarta-feira, 4, que pretendia assinalar o Dia dos Mártires.

A caravana de cerca de 500 manifestantes trajados com camisolas e material de propaganda do partido e que visava comemorar os 56 anos da repressão colonial na Baixa de Cassanje foi interceptada por efectivos da polícia nas imediações do Hospital Regional de Malanje.

Os agentes dirigiram o regresso dos manifestantes à sede do FNLA que, mais tarde, voltaram a ver a sua intenção impedida.

Ninguém foi detido.

O porta-voz da FNLA, Joveth de Sousa, e o representante da organização em Malanje foram convidados a prestar esclarecimentos no Comando Municipal da Polícia Nacional sobre a manifestação interrompida, alegadamente por falta de autorização.

Antes do inicio da marcha, Joveth de Sousa, apresentou à imprensa local uma mensagem do líder do partido, Lucas Benghy Ngonda, que descreveu a dimensão histórica dos acontecimentos da Baixa de Cassanje.

“Ultrapassou de longe o que foi o 4 de Fevereiro que se seguiu”, referiu, justificando que “como patriotas que somos não temos o direito de subestimar o grande sacrifício consentido nos dias difíceis na luta para a libertação de Angola”.

“Nós, FNLA, tendo sido os protagonistas da luta para a independência de Angola custa-nos acreditar que a dimensão desta tenha sido subestimada pelos poderes constituídos depois da independência de Angola”, concluiu a nota do presidente daquele partido histórico.

Refira-se que o acto central nacional de reflexão sobre os massacres dos camponeses da Baixa de Cassanje aconteceu no município do Quela, a 115 quilómetros a nordeste de Malanje, com a presença do ministro dos Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria, Cândido Van-Dúnem.

A secretária-geral da Associação Nacional Baixa de Cassanje, Telma Pitra Grós, pediu que filhos e sobreviventes daquela acção desumana vejam resolvida parte das dificuldades que enfrentam na região.

Os camponeses querem ver aumentada a produção agrícola, construídas residências sociais e edificado o monumento em homenagem às vítimas no Teka-Dia-Kinda, município do Quela.

“Que o nosso Governo a nível nacional, a nível da província possa ajudar para que haja mais dinamismo e mais brevidade, nós contamos também com o apoio do Governo da província em relação à construção do marco histórico”, pediu Pitra Grós.

Aquela associação tem mais de 12 mil filiados em todo o país.

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