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Polícia espanhola investiga mais um caso de corrupção a envolver Angola

  • Redacção VOA

Agentes da Guarda Civil fizeram rusgas em duas empresas

Em causa a construção de um mercado abastecedor em Luanda

Agentes da Guarda Civil de Espanha detiveram nesta quarta-feira, 19, Pablo González no âmbito de uma operação contra corrupção no Canal de Isabel II e suas empresas associadas, o Consórcio Mercasa Incatema, por negócios supostamente com companhias em Angola.

O jornal espanhol El Mundo, que revela a operação da polícia em Madrid, escreve que aquelas empresas construíram um mercado abastecedor em Luanda, num processo que terá envolvido o pagamento ilegal de comissões.

Além de Angola, as empresas são suspeitas de activistas semelhantes no Panamá e na República Dominicana.

A operação foi feita em coordenação com uma outra, realizada também esta manhã, à empresa pública de abastecimento de água de Madrid, "Canal de Isabel II", que se saldou pela prisão de 12 pessoas, entre elas o ex-presidente da Comunidade Autónoma de Madrid Ignacio González.

O negócio, ainda de acordo com a mesma fonte, terá tido por intermediário o luso-angolano Guilherme Taveira Pinto, que é procurado pela justiça espanhola e que vive em Angola.

Fontes próximas das duas empresas indicaram que alguns empregados terão ido de madrugada aos escritórios destruir documentação, alegadamente por terem sido avisados de que poderia haver uma intervenção da polícia.

O suposto mercado abastecedor de Luanda foi anunciado em 2013 pela ministra do Comércio Rosa Pacavira, mas não terá passado de uma remodelação de um espaço aberto no Quilómetro 30, em Viana.

Em Fevereiro de 2016, o governador de Luanda anunciou que o espaço iria ser apenas requalificado.

Os investigadores espanhóis querem saber onde foram investidos cerca de 550 milhões de dólares.

A procuradoria anti-corrupção e o Audiência Nacional (tribunal) deram início há meses a uma investigação que, até agora, indiciou 11 pessoas.

Os crimes em causa são de corrupção em transações comerciais internacionais, branquamento de capitais, suborno e organização criminal.

Caso “Defex”

Refira-se que esta operação é separada do “caso Defex”, que investiga subornos em Angola na compra de armas para a polícia.

Em Julho de 2014, a polícia espanhola prendeu nove pessoas em Espanhoa e, no Luxemburgo, foi detida uma advogada depois das autoridades deste último país terem detectado a entrada de grandes quantidades de dinheiro cuja proveniência não podia ser justificada.

As investigações revelaram que esses fundos eram parte de um contrato de 207 milhões de dólares para o fornecimento de material policial subscrito em 2008-2009 e que envolveria a empresa espanhola Defex, que se especializa na promoção e exportação de produtos e serviços espanhóis

Fontes ligadas às investigações dizem que apenas parte do material comprado por Angola chegou ao país

Operações Secretas em Espanha, Luxemburgo e Portugal

A advogada presa no Luxemburgo, Beatriz Garcia Peza, esteve alegadamente envolvida na construção de uma estrutura financeira para branquear os fundos do negócio e depositá-los em contas bancárias na Suíça, Ilhas Caimão, Gibraltar, Hong Kong, Madeira e Luxemburgo.

Desconhece-se de imediato se há personalidades angolanas ligadas a essas contas.

A imprensa espanhola diz, citando as autoridades, que essas contas beneficiavam membros das empresas envolvidas, bem como responsáveis pela adjudicação do contrato mas não foram dados outros pormenores.

Em 2013, as autoridades do Luxemburgo notaram a entrada de enormes fundos monetários vindos de Espanha sem justificação aparente e juntamente com as autoridades espanholas lançaram a uma investigação com o nome de código Operação Angora.

A polícia espanhola e o Luxemburgo efectuaram 15 rusgas a 11 de Julho de 2014, antes das prisões.

Uma outra rusga foi efectuada em Portugal mas desconhecem-se quaisquer detalhes.

Durante as rusgas foram confiscadas enormes quantias de dinheiro em diversos câmbios, nomeadamente 116 mil euros, 16 mil dólares e duzentas libras, além de material informático e documentação.

As autoridades nesses países bloquearam também contas bancárias e confiscaram imóveis e veículos.

Família de advogada com relações a Angola

A advogada presa no Luxemburgo é sobrinha de Francisco Pesa, que no passado esteve já relacionado com negócios fraudulentos na venda de armas a Angola.

A empresa Defex envolvida no negócio da venda de material polícia a Angola é controlada em 51% pela empresa estatal espanhola, Sociedad Estatal de Participaciones Industriales ( SEPI) sendo os restantes 49% controlados por interesses privados.

A SEPI disse, na altura, num comunicado, acreditar que a actuação da Defex no negócio foi feita "conforme de direito", acrescentando confiar que não haja qualquer tipo de irregularidade ou delito que possa ser imputado à empresa.

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