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Polícia de Moçambique diz que investiga o atentado contra o académico José Mucuane

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Inácio João Dina, Porta-voz da Polícia

Inácio João Dina, Porta-voz da Polícia

Comentar a governação torna-se actividade de risco.

A polícia moçambicana diz que iniciou a investigação do caso de baleamento, ontem, em Maputo, do académico e comentarista de televisão José Mucuane, que se encontra internado e fora do perigo.

O porta-voz do Comando Geral da Polícia de Moçambique, Inácio Dina, disse que o trabalho iniciou logo que foi comunicada a ocorrência.

"A polícia desdobrou-se, e acreditamos que os colegas no terreno irão dizer qualquer coisa", disse Dina à VOA.

Mucuane foi raptado, ontem na Coop, uma das zonas nobres de Maputo, e alvejado nos membros inferiores, algures em Marracuene, mais de 20 quilómetros do local.

Clima de medo instalado

Segundo informações de seus familiares, os indivíduos que o raptaram disseram ao académico que foram enviados para lhe dar uma lição e causar uma deficiência fisica.

O caso é visto nos círculos de Maputo como a continuidade do silenciamento de vozes criticas ao governo, tendo como base as análises de Mucuane no programa "Pontos de Vista", da STV.

José Jaime Mucuane

José Jaime Mucuane

​Celestino Joanguente, pesquisador e consultor de comunicação, diz que a situação torna o simples acto de comentar ou analisar a governação em actividade de risco, levando alguns a evitar tal exercício.

Joanguente confirma que "o clima de medo já se instalou," e não tem dúvidas que isso resultará numa situação de "indiferença, que, se calhar, é o tal desejado pelo sistema ou por indivíduos detrás disso".

O pesquisador recorda que "isso é mau, porque uma sociedade vive de diferenças de pensamentos e de ideias".

Nenhum crime ficou esquecido

Ontem, após visitar o seu colega baleado no hospital, o jornalista Fernando Lima disse à VOA que "a pior decisão seria fazer uma marcha atrás," porque "isso seria a vitória desses cobardes".

Quanto ao anunciado início da investigação para se apurar as motivações dos agressores de Mucuane muitos estão cépticos.

A base disso é que a mesma corporação não divulga os resultados de casos similares, entre os quais o assassinato do académico franco-moçambicano Gilles Cistac e do jornalista paulo Machava.

Mas o porta-voz Dina diz que não se pode falar de "morosidade, porque isso "depende da natureza do processo".

Questinado sobre a má imangem que não divulgação de resultados de investigação, Dina argumenta que "em nenhum momento a polícia deixou de trabalhar para esclarecer um determinado crime...não há nenhum crime que ficou esquecido".

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