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Pobreza e má nutrição na origem de casos de tuberculose em Namibe

  • Armando Chicoca

Josefa Rebeca Cangombe, Directora Provincial de Saúde, Namibe, Angola

Josefa Rebeca Cangombe, Directora Provincial de Saúde, Namibe, Angola

Técnicos de saúde agastados com persistência de tuberculose nas famílias pobres.

O facto está a levantar sérios debates no seio das autoridades sanitárias, que apesar da vontade e fármacos disponíveis para salvar vidas humanas, aumentam a cada trimestre recaídas e surgimento de novos casos de tuberculose pulmonar e extrapulmonar devido a fraca alimentação nas famílias.

O supervisor da tuberculose Sebastião Telo descreve os dados estatísticos da província do Namibe, referentes ao primeiro trimestre do ano em curso: “Estamos na presença de 306 novos casos, 150 casos de recaídas 35 casos de fracassos, 78 reaparecidos e 60 extra pulmonar”.

A teoria sustentada por alguns líderes comunitários segundo a qual o frio que se faz sentir com maior intensidade na província do Namibe pode estar na base do surgimento de recaídas e de novos casos de tuberculose, foi descartada pela Directora Provincial do Namibe de Saúde Josefa Rebeca Cangombe, segundo a qual “a doença” está ligada à fraca alimentação e à pobreza.

“Eu tenho estado a dizer a muita gente que a tuberculose não tem muito a ver com a estação do ano, não tem influência no desencadeamento de determinados sintomas, mas a tuberculose é um problema muito ligado ao estado de pobreza da população. Temos que trabalhar para que haja comida, sobretudo comida de qualidade para as comunidades”, disse aquela responsável do sector de saúde no Namibe.

Cangombe encorajou os responsáveis do sector da agricultura no sentido de prosseguirem os programas de apoio aos camponeses e agricultores, visando o aumento da capacidade de oferta e melhoria na segurança alimentar, para se inverter a actual situação de fraca alimentação nas comunidades atingidas pela tuberculose.

“Neste sentido, a agricultura é chamada a jogar o seu papel no sentido de potenciar o campo para que se produza o suficiente para a auto-alimentação da população. Para nada servirá os medicamentos a um tuberculoso se ele não se alimentar bem, portanto, não estou a fazer absolutamente nada”, frisou Cangombe.

Josefa Cangombe disse ainda que a sua afirmação sustenta-se em factos práticos, bastando olhar para os pacientes hospitalizados, onde facilmente recuperam em pouco tempo, dias depois de terem recebido alta voltam ao hospital em situação pior.

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