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Especialistas debatem formas de combater pirataria no Golfo da Guiné

  • Redacção VOA

Fuzileiros navais americanos e nigerianos durante um exercício militar em Fevereiro de 2010 na costa nigeriana de prevenção e combate de pirataria

Fuzileiros navais americanos e nigerianos durante um exercício militar em Fevereiro de 2010 na costa nigeriana de prevenção e combate de pirataria

Depois da Somália, as atenções estão viradas agora para a região do Golfo da Guiné por causa de sua importancia energética para a Europa e os Estados Unidos

Os especialistas estão a trabalhar no sentido de reforçar a segurança no Golfo da Guiné, onde está em crescendo ameaças impostas pela pirataria.

Quarenta por cento de petróleo consumido na Europa provém do Golfo da Guiné. Ao nível dos Estados Unidos esta importação situa na ordem dos 29 por cento.

O Golfo da Guiné tornou-se num ponto de efervescência de actividades de pirataria.
De acordo com um recente relatório do Bureau Marítimo Internacional, foram registados 58 ataques de pirataria na região no ano passado, incluindo 10 sequestros. Quase a metade desses ataques ocorreu ao largo da Nigéria, e outros tiveram lugar nos mares dos Camarões, Costa do Marfim, Benim e outros países da zona.

Apenas no mês de Fevereiro de 2012, oito barcos petroleiros foram atacados. Embarcações transportando cacau e metais destinados aos mercados mundiais foram igualmente alvos dessas acções de pirataria.

Mas não são apenas as grandes embarcações da indústria mercantilista as vítimas dessas acções. Os piratas mataram agentes de segurança nos Camarões, e raptaram Patrick Aboko presidente da câmara de Kombo Abedimo, uma localidade no oeste do país, quando viajava de barco para a Nigéria.

“Fomos raptados por três embarcações com 10 pessoas cada e fortemente armadas até aos dentes. E surpreendentemente houve disparo de arma e alguns de nós caímos na água e fomos apanhados pelos piratas que nos levaram para as suas bases. De facto fomos submetidos a torturas e o governo teve que intervir.”

Por causa do crescendo dos ataques, as Nações Unidas encarregaram Abou Moussa, seu representante especial na África Central a focalizar-se sobre acções para a redução da insegurança no Golfo da Guiné.

Também os especialistas em segurança e os ministros da defesa da África Ocidental reuniram-se este mês em Yaoundé, capital dos Camarões. Eles assumiram que jamais negociariam com os piratas e que iriam usar a força e se necessária para eliminar as ameaças impostas pela pirataria.

O General Carter Ham, o antigo comandante do Comando Africano Americano – Africom – diz ser preciso a cooperação regional para fazer face aos crescentes desafios que surgem no Golfo.

“Existe muito trabalho a ser feito no Golfo da Guiné. O presidente e os líderes nos Camarões entendem ser uma responsabilidade não apenas de um país, mas de todas as nações da região. E o que tentamos fazer é encontrar oportunidades para muitos países se cooperarem e coordenar os seus esforços. Porque estamos convencidos que quando estiverem a esse nível, haverá segurança no Golfo da Guiné, e é o que nós desejamos.”

A proliferação da pirataria no Golfo da Guiné afectou o preço do petróleo. John Drick é um especialista de segurança britânico.

“Um aumento de ataques, particularmente no Delta do Níger, provocou aumento dos preços do petróleo. Uma repetição de instabilidades e de ataques de pirataria no alto mar pode mais uma vez provocar disparos de preços e causar preocupações no mercado internacional.”

Os países do Golfo da Guiné como Angola, Nigéria, Gana, Costa do Marfim, República Democrática do Congo e Gabão, produzem mais de três milhões de barris de petróleo diários para os mercados europeu e americano.

O alto preço do petróleo e os conflitos na região, particularmente na Nigéria têm criado condições favoráveis a pirataria. Os observadores afirmam que se não for controlada, a pirataria no Golfo da Guiné tem o potencial de atingir e ultrapassar na escala as actividades de pirataria praticadas actualmente ao largo da Somália.
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