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Personalidades defendem prevenção na luta contra as drogas

  • Redacção VOA

Vista aérea da Cidade da Praia

Vista aérea da Cidade da Praia

Procurador americano e antigos presidentes de Cabo Verde, Brasil e Portugal pedem mudanças nas políticas contra o tráfico de drogas.

O procurador do distrito de Albany, capital do estado Americano de Nova Iorque David Soares recomendou aos países africanos a investirem mais na prevenção e não apenas na repressão na sua luta contras drogas.

Aquele americano mas filho de cabo-verdianos fez esta declaração à margem da primeira Conferência Internacional sobre Políticas de Drogas nos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa que terminou ontem na capital de Cabo Verde.


David Soares disse ter chegado o momento de mudar a forma de combater o tráfico de drogas, porque apenas a repressão não funciona.

O procurador de Albany, capital do estado americano de Nova Iorque, recomendou uma forte aposta na prevenção.

“Se a resposta for apenas polícia e prisão para este problema os países terão mais problemas porque o dinheiro que vão gastar para colocar os criminosos durante um ou dois anos na prisão é muito superior que usam na Educação. Este é o problema que muitos estados americanos têm”, justificou.

Segundo aquele procurador, os Estados Unidos gastam anualmente mais de 40 bilhões de dólares apenas na encarceração de pessoas ligadas ao tráfico de drogas.

Para David Soares, grande parte desse dinheiro e aquele proveniente das apreensões das riquezas dos traficantes devem ser investidos na educação e na formação das novas gerações, principalmente em zonas carentes. E revela como esse dinheiro é distribuído

Quarenta por cento se destinam ao tratamento, trinta por cento vão par a polícia a fim de continuar as investigações e o resto é usado pelo procurador. Eu uso esse dinheiro na promoção do desporto junto de crianças e assim tentar evitar que sejam bandidos no futuro porque nos Estados Unidos muitas crianças não têm oportunidades”, explicou.

O procurador do Albany pediu aos governos para criarem oportunidades e boas condições de vida principalmente nas comunidades mais pobres e com muitos problemas sociais.

O antigo presidente brasileiro, o sociólogo Fernando Henrique Cardoso, por videoconferência, defendeu uma mudança no modo de encarar a questão das drogas, com enfoque na persuasão e na saúde pública, em vez de apenas a repressão.

Outro antigo chefe de Estado, o português Jorge Sampaio diz estar espantado com o largo caminho a percorrer de pequenas acções de cooperação, desde a prevenção nas escolas e nas famílias, passando pela liderança política e a uma conjunção de esforços entre os Estados.

Pedro Pires, ex-presidente cabo-verdiano acredita haver um longo caminho a percorrer, mas mais importante é que se trabalhe para o fim do tráfico e consumo de drogas na próxima geração.

No encerramento ontem da conferência, o ministro cabo-verdiano da justiça José Correia defendeu a dignidade no tratamento dos toxicodependentes, pragmatismo assente em experiências devidamente comprovadas cientificamente e reforço da acção concertada entre os estados africanos de língua portuguesa.

Esta primeira Conferência Internacional sobre Políticas de Drogas nos Países Africanos de Língua Portuguesa foi organizada pelo governo de Cabo Verde e a Agência Piaget para o Desenvolvimento, de Portugal.
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