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Organizações alertam para perigo de confrontos no Cunene

  • Redacção VOA

Rio Cunene

Rio Cunene

Em causa a expropriação ilegal de terras por um deputado do MPLA.

Dezoito organizações não-governamentais angolanas que integram o chamado Grupo de Trabalho de Monitoria dos Direitos Humanos(GTMDH) advertiram no domingo, 5, as autoridades para a possibilidade de confrontos na região do Curoca, na província do Cunene, devido à expropriação ilegal de terras que está a provocar o desalojamento de 39 comunidades minoritárias, numa extensão de três mil e 200 quilómetros quadrados.

O jornal OPAÍS cita o administrador do Curoca, Francisco Tomé Ngoloimwe, como tendo revelado que o esbulho de terras está a ser ordenado pelo conhecido empresário e deputado do MPLA, Silvestre Tulumba, que tenciona implementar na zona um projecto agro-industrial sem qualquer acordo com as comunidades.

Depois de um abaixo-assinado dirigido ao Governo do Cunene, na última semana, as associações cívicas convocaram a imprensa para advertir que as comunidades estão neste momento munidas de flechas, azagaias, catanas e enxadas que podem ser usadas em defesa dos seus bens.

As organizações afirmam temer que a situação possa descambar num conflito entre as comunidades e os responsáveis pela contínua expropriação de terras na região do Curoca e pedem a intervenção urgente do Governo.

“Estamos a alertar as autoridades para que não se repitam novos incidentes opondo a população e a Polícia Nacional, como aconteceu no Monte Sumi, no Huambo”, disse o responsável da SOS Habitat, André Augusto.

Aquelas organizações revelaram que o esbulho de terras das comunidades iniciou em 2015 com a destruição das culturas de subsistência, a devastação do pasto e dos cemitérios sem qualquer intervenção das autoridades, tendo já resultado na detenção de pelo menos seis aldeões por parte de agentes da Polícia Nacional.

Segundo a denúncia, a expropriação em curso pode provocar a extinção dos principais subgrupos étnicos num total de 2.129 famílias e 10.675 crianças.

A Associação Construindo Comunidades (ACC), dirigida pelo conhecido pároco dos Gambos, Jacinto Pio Wacussanga, a Associação Construindo Comunidades (ACC), a Acção para o Desenvolvimento Rural e Ambiente (ADRA), a Associação Justiça Paz e Democracia(AJPD), o Fórum Regional para o Desenvolvimento Universitário (FORDU), o Instituto para a Cidadania (MOSAIKO), o Centro Nacional de Aconselhamento(NCC) e S.O.S. HABITAT figuram entre as organizações não governamentais subscritoras da denúncia.

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