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ONU cria galardão para premiar "coragem fora do vulgar"

  • Redacção VOA

Os galardoados receberão uma medalha com o nome de um heróico capacete-azul senegalês que morreu para salvar centenas de pessoas durante o genocídio no Ruanda.

As Nações Unidas decidiram criar um novo prémio para galardoar os capacetes azuis e outros funcionários da ONU que tenham demonstrado coragem fora do vulgar.

Os galardoados receberão uma medalha com o nome de um heróico capacete-azul senegalês que morreu para salvar centenas de pessoas durante o genocídio no Ruanda em 1994.

O capitão Mbaye Diagne distinguiu-se durante o genocídio ruandês de 1994 quando extremistas hútu chacinaram 800 mil pessoas, na sua maior parte da etnia tutsi, durante 100 dias de violência.

Aquele capitão de 36 anos de idade, casado e pai de 2 filhos, era um observador militar desarmado integrando a missão da ONU no Ruanda.

O embaixador ruandês junto das Nações Unidas, Eugene Gasana, afirmou que, defrontado com a maldade, o capitão Diagne recusou-se a ser um mero espectador. “Sem espingardas, armado apenas com a sua coragem e a sua noção de responsabilidade, o capitão Diagne decidiu levar a cabo várias missões através de dezenas de postos de controlo nas mãos de milicianos armados, para salvar centenas, talvez até mesmo milhares de ruandeses durante o genocídio de 1994”, contou Gasana.

No dia 31 de Maio de 1994, o trabalho do capitão Diagne terminou subitamente quando um morteiro explodiu num posto de controlo junto ao seu automóvel.

O genocídio ruandês foi igualmente um capitulo negro para as Nações Unidas e para a comunidade internacional que não intervieram para por termo à matança.

O embaixador jordaniano junto das Nações Unidas, Zeid al Hussein afirmou que o facto de nenhum responsável das Nações Unidas ter sequer telefonado à família de Diagne depois da sua morte só pode ser considerado como vergonhoso: “Estou perfeitamente convencido que todos os presentes se juntariam a mim para expressar o nosso profundo arrependimento”.

O prémio da ONU que se denominará “Medalha do capitão Diagne para Coragem Excepcional” será dedicada a funcionários militares, policiais e civis das Nações Unidas que demonstrem coragem excepcional perante um perigo extremo no decurso do seu trabalho em prol das Nações Unidas e da humanidade.

A medalha foi criada no âmbito de uma resolução apresentada pela Jordânia e adoptada por unanimidade pelo Conselho de Segurança da ONU.
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