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Odebrecht pagou 20 milhões de dólares a ministro angolano

  • Redacção VOA

Marcelo Odebrecht e outros executivos revelam esquemas

Terremoto "político-financeiro" respinga em Angola

O herdeiro e antigo presidente da empreiteira brasileira Odebrecht disse em depoimento à justiça a existência de uma conta corrente com o antigo ministro das Finanças do Governo Lula da Silva, António Palocci, e o seu sucessor, Guido Mantega, no valor de 200 milhões de reais (cerca de 70 milhões de dólares) de crédito à construtora.

Marcelo Odebrecht revelou que parte desse montante, 64 milhões de reais (21 milhões de dólares) era um acerto sobre o aumento de uma linha de crédito à exportação para Angola, abrindo assim caminho a obras que a Odebrecht realizou naquele país, com o “apoio político de Lula da Silva).

As declarações de Marcelo Odebrecht surgem na sequência de um acordo a que chegaram 77 executivos da empresa e a justiça brasileira para revelar o esquema de corrupção da Lava Jato em que a empreiteira foi um dos principais pivots.

Angola aparece também no depoimento do antigo chefe do departamento de comissões da empresa, Hilberto Mascarenhas Alves da Silva Filho, que em declarações àProcuradoria-Geral da República (PGR), no âmbito das investigações da operação Lava-Jato, confirmou ter pago 20 milhões de dólares a um ministro angolano, cujo nome não foi revelado.

Silva Filho indicou que dinheiro foi transferido para o Banco Espírito Santo de Dubai, no Dubai, e registado no planeamento de comissões da Odebrecht.

O juiz do Supremo Tribunal Federal Edson Fachin remeteu o depoimento e pediu a manifestação do Ministério Público Federal brasileiro sobre o alegado pagamento de “luvas” ao governante angolano (foto)

Em documentos divulgados recentemente,Emílio Alves Odebrecht, Marcelo Bahia Odebrecht, João Carlos Nogueira, Antônio Castro de Almeida e Fernando Luiz Ayres da Cunha Santos Reis, todos da Odebrecht relataram possível prática de ilícitos ligados a interesses do Grupo Odebrecht em Angola.

A imprensa brasileira indica que o antigo presidente da construtora Marcelo Odebrecht solicitou várias vezes ao antigo Presidente Lula da Silva para que utilizasse a sua influência para favorecer a companhia em temas relacionados a Angola.

O esquema da Odebrecht

O esquema de corrupção da Odebrecht revelado pelas delações de ex-executivos da empreiteira mostram que a empresa desviava dinheiro de obras públicas para distribuir a políticos através de luvas pagas no país ou no exterior para beneficiar a empresa através dedecisões dos governos, aprovação de leis e em obras públicas.

De acordo com os investigadores, parte do dinheiro de contratos com o poder público era desviado para o Sector de Operações Estruturadas, mais conhecido como "departamento de corrupção, o dinheiro era distribuído a políticos de acordo com os pedidos deles e os interesses da empresa e empreiteira era beneficiada pelo poder público.

Essa “disposição para ajudar" a todos foi admitida por Emilio Odebrecht, fundador e pai de Marcelo Odebrecht, em depoimento ao juiz Sérgio Moro, responsável por julgar casos da Lava Jato, em março.

"Existia uma regra: ou não contribuía para ninguém, ou contribuía para todos", disse Odebrecht

Os inquéritos

No mês passado, o Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, enviou ao Supremo Tribunal Federal 83 pedidos de abertura de inquérito para investigar políticos citados nas delações de ex-executivos da Odebrecht.

O relator da Operação Lava Jato no STF, o juiz Luiz Edson Fachin, determinou a abertura de 76 inquéritos para investigar, ao todo, oito ministros do Governo Michel Temer, 24 senadores, 39 deputados e três governadores.

Além disso, Fachin enviou para outras instâncias da Justiça mais de 200 petições entre elas uma sobre o antigo Presidente Lula da Silva.

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