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Observadores terminam missão sem desmilitarizar a Renamo

  • Ramos Miguel

Afonso Dhlakama(Arquivo)

Afonso Dhlakama(Arquivo)

Os observadores militares internacionais do acordo de cessar-fogo entre as tropas do Governo de Moçambique e os guerrilheiros da Renamo terminam a sua missão amanhã, sexta-feira 15, sem que tenham conseguido desmilitarizar aquele partido, liderado por Afonso Dhlakama.

O ministro da Agricultura e chefe da delegação governamental no diálogo político com a Renamo José Pacheco deu a indicação de que o Governo não tenciona voltar a prorrogar o mandato desta missão, depois de o ter feito, por mais 60 dias, uma vez esgotados os 135 dias iniciais, sem qualquer progresso.

Pacheco disse que depois da saída dos militares estrangeiros tudo vai ser resolvido através do diálogo político, mas o negociador-chefe da Renamo, Jaime Macuiane, defende a continuidade dos militares internacionais.

Os observadores militares, por vontade da Renamo, tiveram uma existência praticamente marginal. Mesmo no incidente mais mediático, nomeadamente, a presença de homens armados da Renamo na província de Gaza, sul do País, o assunto foi muito politizado e as partes nao chegaram sequer a acordo quanto à versão dos factos trazida pelos observadores militares.

Na prática, está-se a dizer que os observadores militares não tiveram qualquer papel durante os cerca de 200 dias da sua permanência em Moçambique, ou seja, gastou-se dinheiro a financiar a ociosidade, pois, a Renamo continua armada e mantém-se o espectro de guerra no país.

O economista José João Tomo disse que uma vez que os observadores militares internacionais não atingiram o seu objectivo, poder-se-á criar uma situação de instabilidade política no país, o que resultará na redução dos investimentos nacionais e estrangeiros e das exportações, bem como no aumento dos custos de produção.

O padre moçambicano Filipe Couto minimizou o papel dos militares estrangeiros, mas, para o analista político Fernando Lima, a sua presença é fundamental para a estabilidade do País.

"Do meu ponto de vista pessoal, acho que os observadores militares internacionais tinham um papel muito importante a fazer, nomeadamente, na colocação das forças no terreno, na sua desmobilização e no afastar de potenciais confrontos entre as duas partes como se tem visto em pequenas querelas que têm acontecido na serra da Gorongosa, onde é mais visível a presença de homens armados da Renamo", realçou.

Após a saída dos estrangeiros, vão restar os militares governamentais e da Renamo. Desde que se começou o diálogo político, os militares das duas partes auferiram extras-monetárias e tinham meios de locomoção próprios, decorrentes do diálogo político.

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