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Obama diz que o país saiu da "sombra da crise"

  • Redacção VOA

No discurso sobre o "Estado da União" o Presidente saúda avanços económicos do país e diz que os EUA se reservam o direito de actuarem unilateralmente para proteger a sua segurança.

O Presidente Barack Obama saudou os avanços económicos alcançados pelo seu Governo nos últimos anos e disse aos seus adversários republicanos para “virarem a página”, apoiando a sua agenda doméstica que, segundo disse, visa melhorar a situação da classe média americana.

No que diz respeito à política externa, o Presidente disse que os Estados Unidos reservam-se o direito de actuar unilateralmente no combate contra aqueles que constituem uma ameaça ao país e aos seus aliados.

Ao falar ao Congresso e à Nação no discurso anual sobre “o estado da União”, o Presidente disse que o país “saiu da sombra da crise” e que “o estado da união é bom”.

Obama afirmou que irá usar os últimos dois anos do seu segundo mandato para lutar por programas que até agora não têm recebido grande atenção.

“Saímos da recessão mais livres para escrevermos o nosso futuro do que qualquer outra nação”, disse o Presidente que acrescentou que desde 2010 os Estados Unidos criaram mais postos de trabalho do que todas as outras economias mais avançadas do mundo em conjunto.

A principal enfâse do discurso de Barack Obama versou, como seria de esperar, questões internas, nomeadamente a economia, principalmente no que o Presidente referiu como a necessidade de se combater a desigualdade salarial e ajudar os trabalhadores americanos.

Obama disse que a escolha da América é entre “aceitar uma economia onde apenas poucos têm um sucesso espectacular” ou lutar por uma “economia que produz rendimentos crescentes e dá uma oportunidade a todos os que se esforçam”.

Segundo ele, na história económica dos Estados Unidos o país “tomou sempre acções corajosas para se adaptar às novas circunstâncias e assegurar que todos tenham uma oportunidade justa”.

Neste sentido mencionou a adopção de protecção aos trabalhadores como a segurança social, seguro médico para os reformados (Medicare) e para os mais pobres (Medicaid).

Os Estados Unidos, disse Obama, “estão no seu melhor quando todos têm uma oportunidade igual, todos têm uma parte justa e todos obedecem às mesmas regras”.

Neste sentido, o Presidente propôs novas iniciativas para tornar gratuitos os primeiros dois anos das universidades abertas (community colleges), aumentar os créditos fiscais para a educação e cuidados infantis o que, disse, poderá ser financiado por novos impostos nos altos rendimentos e sobre instituições financeiras.

“Uma economia virada para a classe média funciona, expandir as oportunidades funciona”, defendeu o Presidente para quem “estas políticas continuarão a funcionar desde que não sejam impedidas por políticos”.

Obama propôs uma lei que dá direito a um mínimo de sete dias de licença paga em caso de doença e redução de impostos a quem tem filhos.

Luta contra o Estado Islâmico

Na sua intervenção, o Presidente Obama apelou ao Congresso americano para apoiar as acções militares contra o Estado Islâmico que ocupa partes do Iraque e Síria, mas afirmou que os Estados Unidos não se irão envolver numa guerra no Médio Oriente com tropas no terreno.

“Esta noite apelo ao Congresso para mostrar ao mundo que estamos unidos nesta missão, aprovando uma resolução que autoriza o uso da força contra o Estado Islâmico”, desafiou Obama que depois de rejeitar o envolvimento de tropas americanas no terreno saudou as forças da coligação envolvidas nas operações contra aquele grupo terrotista. Obama reiterou que a luta contra essa organização “vai levar tempo… mas teremos sucesso”.

“Lideramos da melhor maneira quando combinamos o poderio militar com uma diplomacia forte, quando combinamos o nosso poder com a construção de coligações, quando não deixamos que os nossos receios nos ceguem para as oportunidades que este novo século apresenta”, afirmou o Presidente que disse que os Estados Unidos continuarão “a dar caça aos terroristas e a desmantelar as suas redes”.

“Reservamos o direito de actuar unilateralmente como temos feito sem cessar desde que assumi a presidência para eliminar os terroristas que sejam uma ameaça directa a nós e aos nossos aliados”, garantiu o Presidente que saudou o trabalho feito pelos “nossos soldados, os nossos cientistas, os nossos médicos, os nossos enfermeiros e trabalhadores da saúde” no combate ao ébola na África ocidental.

Obama apelou ainda aos legisladores para levantarem as sanções económicas contra Cuba.

O Presidente apelou também a politicas para se combater o aquecimento global e disse que não voltará atrás na sua recente decisão de mudar o sistema de imigração.

Relações raciais

Obama abordou também a situação racial nos Estados Unidos face aos recentes incidentes em Ferguson e Nova Iorque afirmando continuar a acreditar que só há uma América.

“Eu quero que as gerações futuras saibam que somos um povo que vê as nossas diferenças como um bem, que somos um povo que valoriza a dignidade e o valor de todos os cidadãos, homens e mulheres, jovens e velhos, negros e brancos, latinos e asiáticos, imigrantes e nativos, homossexuais, heterossexuais, americanos com doenças mentais ou incapacidades físicas”, reiterou.

"Eu ainda acredito que somos um só povo. Eu ainda acredito que juntos podemos fazer grandes coisas mesmo quando as possibilidades são poucas. Eu acredito nisto porque vezes sem conta nos meus seis anos na presidência testemunhei a América no seu melhor”, conclui Barack Obama.

Resposta republicana

Em resposta a senadora Republicana, Joni Ernst, disse que apesar das diferenças há espaço suficiente para um acordo, nomeadamente no comércio externo e a simplificação do código fiscal .

“O Presidente já expressou algum apoio para este tipo de ideias”, disse a senadora.

Ernst criticou, contudo, a nova lei de saúde aprovada pelo anterior Congresso, que descreveu como um “falhanço” e afirmou que apesar da recuperação, a economia não está a funcionar para todos os americanos.

“Podemos ver vizinhos com problemas devido a salários estagnados e a perda de emprego”, disse a senadora.

“Testemunhamos também os problemas causados pelo cancelamento de seguros de saúde e preços mensais de seguros de saúde mais altos”, acrescentou Ernst que se referiu à vitória dos republicanos nas eleições legislativas de Novembro como “um recado” dado pelo eleitorado “bem claro e bem alto”.

Ernst disse que o Congresso dominado pelos Republicanos quer pôr o Congresso a trabalhar para resolver “de novo as preocupações” do eleitorado.

“Estamos a começar a trabalhar para mudar a direcção que Washington tem dado ao nosso país”, concluiu a senadora republicana.

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