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O drama dos mineiros moçambicanos na África do Sul

  • Simião Pongoane

Arquivo

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O recrutamento de trabalhadores para as minas da África do Sul começou logo depois da descoberta de ouro e diamante no território sul-africano na década de 1880.

Mas 10 anos antes começara a actividade mineira no sector de carvão, tendo sido mais intensificada depois do início da exploração de ouro e diamante.

No inicio, o trabalho era considerado rudimentar com maior envolvimento da forca do homem na exploração dos minérios.

A maior parte da forca-de-trabalho não tinha formação académica.

Alguns não sabem ler nem escrever os próprios nomes e quase todos vêm de famílias pobres da África do Sul, Moçambique, Lesotho, Suazilândia e Botswana. Os salários eram considerados muito baixos, apesar do perigo sempre presente em cada jornada laboral no interior das minas.

No entanto, com o passar do tempo as companhias mineiras foram introduzindo paulatinamente novas tecnologias de exploração de minérios, enquanto os trabalhadores eram formados.

Alfredo Matavele é considerado um sortudo e bem pago numa mina da petroquímica sul-africana Sasol. Mas noutro extremo há trabalhadores que ganham salário de miséria.

Sérgio Nhanombe é um dos muitos trabalhadores, sem formação e mal pagos. "A situação é muito difícil, muito mesmo", diz.

Face a situação, Sérgio Nhanombe e outros cerca de 260 trabalhadores da companhia Aveng decidiram paralisar as actividades laborais, exigindo aumentos salariais.

O patrão reagiu com punho de ferro, despedindo todos os grevistas, incluindo Sérgio.

Sérgio Nhanombe está mesmo arrependido porque agora nem o pouco dinheiro que ganhava antes da greve consegue, deixando a sua família numa situação complicada.

As companhias mineiras ja não recrutam nova mão-de-obra, sobretudo estrangeiros.

Segundo Manuel Matola, superior na companhia de Platina de Lonmin, mesmo ao nível de direcção há um processo de redução da mão-de-obra.

Moçambique tem actualmente 32 mil trabalhadores na indústria mineira sul-africana, que contribuem com cerca de 750 milhões de rands por ano para a economia moçambicana.

Entretanto, há 12 anos, eram 55 mil trabalhadores moçambicanos, mas com a redução da mão-de-obra por causa da pressão sindical por aumentos salariais e a introdução de novas tecnologias, o país tem estado a perder oito por cento da sua forçaa de trabalho na indústria mineira sul-africana por ano.

Este ano poderá perder muito mais.

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