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O adeus da velha guarda moçambicana a 15 de Outubro

  • Ramos Miguel

Calton Cadeado, professor do Instituto Superior de Relações Internacionais de Moçambique

Calton Cadeado, professor do Instituto Superior de Relações Internacionais de Moçambique

Calton Cadeado, especialista em relações internacionais e segurança do Instituto Superior de Relações Internacionais de Moçambique, diz que na sequência destas eleições o país ficará mais estável.

Analistas dizem que as eleições gerais de amanhã, em Moçambique, poderão marcar o início do fim de uma era de líderes militares, caracterizada por instabilidade política e gerar uma outra em que o debate de ideias será mais aberto e inclusivo, criando-se um ambiente muito mais favorável ao desenvolvimento do país.

O professor Calton Cadeado, especialista em relações internacionais e segurança do Instituto Superior de Relações Internacionais de Moçambique, diz que na sequência destas eleições, teremos um país mais estável.

Segundo o académico, Moçambique vai ser um país em crescimento, mas que irá sofrer uma pressão enorme, quer doméstica, quer internacional, por causa da sua situação geográfica, que é favorável a muitos interesses políticos e económicos na actualidade.

Segundo ele, a saída do poder do Presidente Armando Guebuza transmite uma tranquilidade de que esta democracia tem que crescer, realçando que o líder da Renamo, Afonso Dhlakama, "que vem agora nesta forma de ser e de pensar, também vai transmitir um sinal de que nós já não vamos fazer o uso das armas".

Cadeado afirmou ainda que "qualquer um que ganhar as eleições vai sentir a pressão de todos os que estão a dar o sinal, sobretudo a sociedade, porque já não é apenas Maputo que fala em nome da paz, da democracia, é todo um país".

O também professor universitário e analista politico, Tomás Rondinho diz esperar que estas eleições sejam o fim da instabilidade político-militar no país, gerando-se um novo clima de relações entre os diferentes actores políticos.

Destacou que "se isso acontecer, já temos um potencial cenário de debate político, pela primeira vez, se calhar, onde as ideias estarão no centro das atenções; quer dizer, já será debate de ideias e não apenas do poder".

Do lado das igrejas, não há dúvidas que Moçambique vai começar um novo ciclo que é preciso apoiar, prosseguindo, por exemplo, com o projecto de transformação de armas em enxadas.

No âmbito deste projecto, a cargo do Conselho Cristão de Moçambique, foram recolhidas e destruídas mais de 800 mil armas, segundo Marcos Macamo, secretário-geral, para quem, a igreja "tem que começar agora a mobilizar os crentes para a imparcialidade e para não se deixar arrastar por actos de exclusão.

Por seu turno, o historiador Felizardo Bambo, diz-se bastante optimista quanto ao futuro de Moçambique, sobretudo pela presença de observadores internacionais, que vão inibir qualquer tentativa belicista futura, seja de quem for.

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