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Militares nigerianos combatem a Boko Haram no norte do país

  • Anne Look

Militares nigerianos durante uma parada na aldeia de Baga perto da cidade de Maiduguri no Estado de Borno, Maio 2013.

Militares nigerianos durante uma parada na aldeia de Baga perto da cidade de Maiduguri no Estado de Borno, Maio 2013.

Presidente Goodluck Jonattan decretou recollher obrigatório em 3 Estados e despachou reforços militares para combater os radicais que mudaram de estratégias atacando pequenas cidades

O presidente nigeriano, Goodluck Jonatahn declarou o estado de emergência em três Estados do norte da Nigéria e ordenou o envio imediato de mais tropas, em resposta a onda de violência que segundo ele coloca “uma ameaça muito séria” a integridade territorial do país.

Membros da seita islâmica Boko Haram têm expandido e intensificado a sua insurreição que dura há mais de três anos, enquanto outros militantes ou grupos de criminosos aumentaram os ataques as forças de segurança.

A seita islâmica tornou-se conhecida através de ataques e atentados bombistas suicidas nas cidades do norte da Nigéria e na capital Abuja. Os alvos eram as instalações das forças de segurança, mercados, igrejas e até mesmo a sede das Nações Unidas em Abuja em Agosto de 2011.

Mas os recentes ataques contra os militares e policias nas cidades fronteiriças de Baga e Bama trouxeram para a ribalta o que os especialistas afirma serem a uma mudança chave das tácticas e capacidades desse grupo radical.

O porta-voz da força governamental conjunta no Estado de Borno, o Tenente-Coronel, Sagir Musa, evoca essa mudança.

“Há literalmente um ressurgimento de actividades terroristas no Estado de Borno em zonas rurais na sua maioria. Nós temos observado esse ressurgimento de onde tem partido e medidas necessárias estão em curso para o parar, e brevemente ele terá um fim.”

Mas há receios de que a Boko Haram esteja a ganhar terreno. Analistas, activistas dos direitos humanos e residentes do norte da Nigéria afirmam que reportados abusos contra civis e membros encarcerados da Boko Haram pelas forças de segurança nigerianas forçaram o corte de cooperação e alimentou potencialmente o recrutamento a favor da seita.

A agência de notícias Reuters, noticiou que partes do Estado do Borno, estavam sob o contro de-facto da Boko Haram. Residentes de Maiduguri, tal como o militar na reserva entrevistado pela VOA, dizem que os militantes têm vantagens no terreno.

“É de conhecimento geral. As pessoas têm dito que eles vivem nas florestas ao longo do caminho que vai de Maiduguri para Monguno. Outras dizem que eles estão em Zambiza e em Damboa onde têm treinos militares. A meu ver, a menos que haja uma concertação séria de esforços e uma recolha muito detalhada de informações, posso dizer que a Boko Haram está a ganhar a guerra.”

O analista nigeriano na Fundação Jamestown sediada em Washington, Jacob Zenn diz ter visto recentemente os vídeos de propaganda da Boko Haram, nem todos eles, tornados públicos, que apontam para a sua liberdade de movimento.

“É interessante como eles podem se movimentar e treinar livremente em áreas desérticas do norte da Nigéria, para um grupo que é supostamente ser altamente perseguido.”

Zenn adianta que a mudança para ataques contra os alvos rurais parece ser uma mudança estratégica, o que pode estar ligado ao facto do grupo estar sob pressão em algumas grandes cidades tal como a Maiduguri.

A Boko Haram só recentemente entrou nas acções de rapto, algo que os analistas afirmam ser a sua mais evidente prova de ligação com a al-Qaida do Norte de África, que juntamente com outros dois grupos de militantes, ocuparam durante dez meses a região norte do Mali até a intervenção militar liderada pela França em Janeiro deste ano.
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