Links de Acesso

Nigéria: Grupos de Civis Vigilantes tornaram-se em alvos dos terroristas

  • Anne Look

Membros dos Civilian JTF a proceder ao controlo do trânsito automóvel na aldeia de Mafoni, no Estado do Borno ao norte da Nigéria, Aug. 2013

Membros dos Civilian JTF a proceder ao controlo do trânsito automóvel na aldeia de Mafoni, no Estado do Borno ao norte da Nigéria, Aug. 2013

Segundo a correspondente da VOA, Anne Look, esses vigilantes que lutam ao lado do exército contra os radicais acabaram por tornar-se em inimigos declarados pela Boko Haram

No Estado de Borno no norte da Nigéria, o berço do chamado grupo Boko Haram, centenas de jovens criaram grupos de vigilância civil que estão lado a lado, na caça aos militantes terroristas.

Pelo menos 55 membros de um grupo de vigilantes no Estado do Borno foram assassinados por presumíveis militantes da Boko Haram numa série de ataques de vingança no mês passado.

O mais recente ataque ocorreu na Sexta-feira nas imediações da cidade de Monguno. Suspeitos militantes da Boko Haram disfarçados em uniformes militares emboscaram e mataram pelo menos 24 de civis vigilantes que procediam a uma missão de vigilância.

O grupo de vigilantes é conhecido como Civilian JTF – Civis da Força de Acção Conjunta.

A população local está revoltada com os insurrectos e aplaude os esforços dos grupos civis de vigilância. Mas analistas afirmam que os vigilantes marcam um preocupante desvio da crise.

As forças armadas encorajam a criação desses grupos e garantem-lhes informações que os protegem nas suas missões, e estavam quase a lhe fornecer armas. A ideia era de que os locais conhecem melhor as comunidades e eram mais capazes em localizar e neutralizar os militantes.

O porta-voz do exército nigeriano, o Tenente Coronel Sagir Musa disse que os Civilian JTF têm sido importantes nos três meses de ofensiva de cerco contra a Boko Haram apesar dos continuados ataques dos insurrectos contra civis.

“Estamos a ser apoiados por grupos de vigilância e o cerco está a tornar-se demasiado apertado para os terroristas. Eles não estão contentes. Eles não têm a mesma liberdade de movimentarem-se como tinham e faziam anteriormente.”

Mas outras opiniões expressam algumas dúvidas. O exército restringiu o acesso a linha da frente dos combates, e as comunicações através de telemóveis foram suspensas na maior parte da região norte do país. E por isso torna-se difícil avaliar de forma independente o progresso no terreno.

Existem também preocupações de que o apoio ao grupo de jovens vigilantes irá apenas abrir uma outra caixa de Pandora.

Shehu Sani é membro do Congresso dos direitos Cívicos da Nigéria, e diz que o exército está a “conferir a sua responsabilidade” a grupos de jovens sem armas e sem treinos.

“É tão claro que esses grupos de vigilantes estão engajados em imensas acções de violação dos direitos humanos, ao procederem rusgas, atacar e deter pessoas suspeitas de serem membros do grupo Boko Haram. Essas pessoas, vai ser um outro monstro que a Nigéria vai ter que enfrentar.”

Shehu Sani adianta ainda que apoiar esse grupo de milícias jovens irá apenas agravar o conflito, que já fez mais de 3 mil mortos e lançou o medo por todo o norte da Nigéria.
XS
SM
MD
LG