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Nigéria retira diplomatas da África do Sul após onda de xenofobia

  • Redacção VOA

Pretória responde dizendo que Nigéria não consegue controlar o Boko Haran.

A Nigéria e a África do Sul são nações conhecidas por conflitos nas suas relações bilaterais, com exemplos que variam desde a forma com que os nigerianos foram representados no filme Distrito 9, até a alegação de porte de certificados falsos de febre amarela. Agora, após a recente onda de ataques xenofóbicos na África do Sul, a Nigéria retirou alguns diplomatas de Pretória, o que deixou o governo sul-africano descontente.

O Executivo de Jacob Zuma criticou a decisão da Nigéria de retirar os seus oficiais de Pretória, no meio de uma onda de ataques xenofóbicos contra estrangeiros.

Os governos de Zimbabwe, Malawi e Moçambique repatriaram centenas dos seus cidadãos após os conflitos, mas a Nigéria foi a primeira nação a protagonizar uma acção diplomática tão drástica.

O Governo da Nigéria afirma que não chamou oficialmente de volta os seus enviados ao país, mas apenas pediu para que eles regressassem à Nigéria para consultas de rotina.

Tal, no entanto, não impediu uma resposta dura da África do Sul. O Ministério sul-africano das Relações Exteriores publicou uma declaração nesta semana relembrando à Nigéria o seu fracasso para combater os rebeldes do Boko Haram, que mataram milhares de pessoas. Pretória também relembrou a falta de controlo da Nigéria após o colapso de uma igreja em Lagos no ano passado, que matou 84 sul-africanos.

“Nós não culpamos o Governo nigeriano pelas mortes e pelo atraso de mais de nove meses na repatriação dos corpos dos nossos compatriotas mortos...”, dizia a declaração.

Os recentes conflitos expõem o complicado relacionamento entre as duas maiores potências económicas do continente.

O desacordo entre as nações sobre quem deveria ser o líder na União Africana em 2012 culminou em deportações de cidadãos de ambos os países, que foram acusados de falsificarem cartões de vacinação de febre amarela.

Distrito 9, um filme de ficção científica sul-africano gravado em Johanesburgo, mostra nigerianos como criminosos e canibais, facto que foi considerado de insulto por Abuja. A censura nigeriana baniu o filme no país.

A discutida inclusão da África do Sul como membro dos BRICS, bloco internacional que integra países em desenvolvimento, nomeadamente Brasil, Rússia, Índia e China, e a autopromoção do país sul-africano a porta de entrada para a África, irrita a Nigéria, que, em 2014, superou a África do Sul e tornou-se a maior economia do continente.

O professor Shadrack Gutto, da Universidade da África do Sul, diz que ambos os países procuram um lugar permanente no Conselho de Segurança da ONU.

“Eu acredito que algumas dessas acções sejam sinais para mostrar quem é o melhor representante de África. Eu acredito que a Nigéria está a tentar exagerar os casos de xenofobia que ocorrem na África do Sul para manchar a imagem do país no continente”, explicou Gutto.

Enquanto as relações diplomáticas entre os dois países estavam calmas, alianças comerciais cresceram substancialmente. Entre 2004 e 2010, o investimento sul-africano na Nigéria aumentou cinco vezes. A companhia de telecomunicações sul-africana MTN tem 37 por cento do seu lucro proveniente da Nigéria, onde a empresa possui o dobro de espectadores do que na África do Sul.

Na semana passada, nigerianos reuniram-se às portas da sede da MTN em Kaduna para protestar contra a violência xenofóbica na África do Sul. Um dos protestantes, Yusuf Amoke, ameaçou atacar os negócios sul-africanos na Nigéria.

“Se a África do Sul não está envergonhada, se os sul-africanos não são razoáveis o suficiente para não matar o nosso povo, não destruir os nossos negócios, então os nigerianos também não serão razoáveis o suficiente para deixar os seus empreendimentos sobreviverem na Nigéria”, ameaçou.

Apesar da retórica hostil de ambos os países, analistas acreditam que os recentes conflitos podem acabar depois da posse do novo Presidente nigeriano Muhamadu Buhari.

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