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Niassa: Das ruínas da guerra nasceu um oásis

  • Redacção VOA

Nasce também em Muapula a ortografia Makua Xirima, abrindo portas à educação na língua materna.

Das ruínas da guerra na zona de Muapula, na província moçambicana do Niassa, nasceu um oásis económico e nasceram também os fundamentos da alfabetização na língua Makua Xirima.

É uma história que começa após a guerra civil e que envolve fé, educação, saúde, óleo de girassol, café e também a elaboração da escrita da língua local, Makua Xirima. E isso poderá ter um grande impacto na alfabetização e no desejo do Governo de ter educação nas línguas locais

Com efeito, foi em 1992 que um grupo de missionários sul africanos estudou pela primeira vez a hipótese de estabelecer uma missão no Niassa. Inicialmente na cidade de Cuamba e mais tarde na zona mais rural de Muapula.

Foi uma zona duramente atingida pela guerra. Pessoas que ali se deslocaram descreveram a zona como um local de devastação social sem o mínimo de condições, algumas delas mesmo sem roupas tendo, que cobrir a sua nudez com cascas de arvores.

Gerrit Olivier

Gerrit Olivier

Gerrit Olivier esteve e está envolvido no projecto e disse que na primeira deslocação ao local encontraram “uma situação de pobreza, desolação e destruição incrível”

“Não existia qualquer forma de economia naquela zona, além talvez de um sistema de troca de bens por bens do pouco que tinham”, disse Olivier.

Um passo inicial para relançar a economia na zona foi o de estabelecer um mercado para troca de bens “quer por dinheiro ou de outros bens”.

Tendo em conta a falta total de dinheiro e mercadorias no local, resultante da pobreza extrema em que “havia pessoas que nem roupa tinham”, decidiu-se introduzir uma cultura que pudesse ser comercializada.

“Isto levou-nos a introduzir o cultivo do girassol e a garantir um mercado para o produto”, disse Olivier que explicou que a colheita é comprada aos agricultores moçambicanos e depois transformada em óleo.

“Hoje há cerca de 500 indivíduos que produzem cerca de 40 toneladas de girassol por ano”, explicou Olivier que acrescentou que na fábrica de óleo de girassol há apenas um estrangeiro e todos os outros são “pessoas locais que foram treinados no local”.

Os missionários estabeleceram também um posto de saúde que foi inaugurado pelo então presidente Joaquim Chissano naquilo que o missionário descreveu de “um grande dia para toda a gente”. O posto de saúde chegou a receber mais de 100 pessoas por dia.

Uma escola foi também construída que chegou a ter mais de 250 alunos.

“A escola lançou os alicerces para a educação secundária ajudando assim muitos alunos a terem uma formação boa”, disse Gerrit Olivier.

Tanto o posto de saúde como a escola foram encerrados assim que o Governo no seu programa de reconstrução nacional .

A missão iniciou também um projecto de criação de gado e “com o tempo estabeleceram-se vários rebanhos de cabritos e ovelhas”.

“Fazemos iogurte e queijo com leite de vaca, o que cria emprego e melhora a dieta”, disse.

Muapula - plantas de café

Muapula - plantas de café

A produção de café começou há três anos e agora “há mais de dez pessoas que vão plantar o seu próprio café em 2016”, diversificando assim a agricultora na zona.

“O cultivo do café tem um potencial enorme a médio e longo prazo”,” disse Gerrit Olivier que fez notar que alguém interessado no projecto pode contactar Frits van der Merwe através do e-mail frini4@gmail.com.

Mas outra iniciativa que terá outro tipo de impacto na zona é a alfabetização na língua local, o Makua Xirima.Gerrit Olivier disse que descobriu que na zona se usava um sistema de ortografia usado noutras zonas mais para o sul, que durante o tempo colonial, em 1973, foi decidido que seria a ortografia “para o norte”.

Esse sistema contudo não se adapta á língua Makua Xirima e o trabalho para se criar isso foi intenso.

A Bíbila em Makua Xirima

A Bíbila em Makua Xirima

“Estabelecer um sistema de som e de ortografia leva muito tempo”, disse. A primeira tradução do Novo Testamento na língua local foi lançado em 2007.

“O Governo deseja que a educação seja também feita na língua materna, mas de momento não existe literatura e essa foi uma das razões que nos levou a envolver-nos nisto”, disse e isso “estimula a língua materna e ajuda também na alfabetização”.

O trabalho da missão pode ser visto em www.muapulamission.co.za.

Ouça a reportagem aqui:

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