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"Não somos nós que criamos confusão no país", afirmam militares guineenses

  • Redacção VOA

Foto de Arquivo.

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Liga Guineense dos Direitos Humanos responsabiliza políticos e procurador-geral da República.

“O papel dos soldados é respeitar o poder politico”, afirmou o general Júlio Nhaté, chefe da divisão dos Recursos Humanos das Forcas Armadas da Guiné-Bissau nesta quarta-feira, 25.

No momento em que se aguarda pela indicação do futuro primeiro-ministro pelo Partido da Renovação Social (PRS), o segundo mais votado nas eleições de 2014, como solicitado pelo Presidente da República, e há alguma tensão nas ruas de Bissau, o antigo chefe do Estado-Maior do Exército reiterou o que os militares têm dito desde o início da crise politica em Agosto de 2015: que nunca mais os militares vão intrometer-se no jogo politico.

Numa parada para assinalar o Dia de África, o general Nhaté afirmou que "basta de confusão" porque quando ela existe são os militares que se matam uns aos outros.

"O nosso papel é defender a pátria e respeitar a Constituição", sublinhou o militar, no acto em que os homens do exército empunhavam cartazes com dizeres como “Vamos apostar sempre na paz e na tranquilidade” e “Vamos nos afastar dos políticos".

Na marcha, os militares também enviaram mensagens claras à CPLP e à Cedeao, com refrões como “já sabem que não somos nós que criamos confusão no país”, numa clara referência aos políticos.

Liga dos Direitos Humanos responsabiliza políticos

Também hoje, a Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH) voltou a responsabilizar o Presidente da República e os políticos pela crise política e, agora, também o Procurador-Geral da República (PGR).

Ao apontar o dedo aos políicos, a LGDH acusa-os da “deterioração da situação social e económica, resultante desta paralisação injustificada da administração pública", e lembra que "muitas instituições públicas" não estão a funcionar pelo facto de não terem dinheiro, com destaque para a educação e saúde.

O PGR, António Sedja Man, é também responsabilizado pela situação actual por ter decidido “congelar as contas do Estado, alegando indícios de corrupção por parte do Governo, que ainda se encontra em gestão”.

Para aquela organização, o “prolongar desta situação por mais tempo provocará danos incomensuráveis no tecido social e económico do país, com repercussões negativas no processo de consolidação da paz e do Estado de Direito democrático", e, por isso, exigiu o regresso do país à normalidade constitucional.

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