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"Não são precisos projectos gigantes para se combater a seca", diz Padre Pio Wakussanga

  • Teodoro Albano

Efeitos da seca (foto de arquivo)

Efeitos da seca (foto de arquivo)

Líder religioso e comunitário angolano defende combate à seca no Cunene.

A valorização dos recursos locais é um dos caminhos para travar a seca no sul de Angola, defendeu o padre Jacinto Pio Wakussanga, da Associação Construindo Comunidades (ACC).

O sacerdote destacado na região dos Gambos, uma das mais fustigadas pelo fenómeno nos últimos anos, defende ainda a introdução de alternativas realistas para se fazer frente a seca ao contrário de projectos megalómanos.

Padre Pio Wacussanga

Padre Pio Wacussanga

“ Nós temos a tendência de pensarmos em fazer coisas muito grandes, elefantes brancos, grandes barragens grandes sistemas”, disse.

“Aqui na parte sul e sudoeste já há sistemas de aproveitamento de água que foram feitos para as comunidades locais: pequenos açudes, furos, sistema de retenção de água; na necessidade de se promover mais a agricultura familiar porque nas prioridades de Angola ela é o parente pobre se insiste muito na política do agro-negócio”, acrescentou o padre.

O prelado falava à margem do encontro que nesta segunda-feira, 19, abordou no Lubango as alterações climáticas no sul de Angola, e que juntou representantes das províncias da Huíla, Cunene e Namibe.

O governador da Huíla admitiu que as soluções até agora implementadas para se contornar a seca se têm revelado paliativas.

João Marcelino Tchipingui fala da ausência de execução de projectos de aproveitamento dos recursos hídricos da região.

“Cunene não tem falta de água, Namibe não tem falta de águ,a Huíla não tem falta de água, tem é falta de execução de projectos”, afirmou o governante.

O representante do sistema das Nações Unidas em Angola, Paolo Balladeli, defende políticas de protecção social das populações mais vulneráveis, sobretudo, nas condições de clima adverso.

“Há várias vertentes de potenciar a protecção social porque estamos num período que precisa de mais energias para as políticas chamadas contra cíclicas que as que permitem as populações mais vulneráveis criar novas condições para se desenvolver”, concluiu aquele responsável.

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