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Não se pode especular sobre acordo entre FMI e Angola

  • Manuel José

Opinião é dos economistas Yuri Quixina e Fernando Heitor.

Especialistas consideram prematuro especular sobre valores do empréstimo que o Fundo Monetário Internacional (FMI) poderá ceder a Angola no âmbito das negociações em curso.

Yuri Quixina e Fernando Heitor pensam que Angola ainda não está sob fase de resgate financeiro e que possui margens para recorrer ao mercado internacional para pagar a dívida.

A criação de um imposto sobre o consumo como o Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA), cortes salariais e racionalização do investimento público são como medidas que determinados observadores acreditam que o Governo angolano terá de discutir com o FMI.

Alguns especialistas adiantam números, mas o investigador em ciência económica Yuri Quixina diz não ser abonatório adiantar valores de assistência financeira.

“Não é abonatório apontar valores em função da quota que Angola tem para com FMI, como não se trata ainda de ERP (Resgate Profundo Financeiro), há casos de países que não conseguem honrar compromissos da dívida e pagar salários, mas Angola não chegou ainda a este ponto, o que não quer dizer que não possa chegar”, diz Quixina, advertindo que as discussões vão ser muito intensas”.

Aquele especialista pede é que o Governo se prepare porque a transparência “é um dos requisitos exigidos pelo FMI porque não quer que os agentes económicos sejam surpreendidos em termos de políticas económicas na medida em que a falta de informação não abona o crescimento e equilíbrio de uma economia''.

O consultor internacional Fernando Heitor corrobora com a Quixina e diz que “não vale a pena especular sobre o volume de financiamento porque depende muito da quota que Angola tem para com FMI”.

Heitor defende que dentro desse limite o Governo deve solicitar até ao limite máximo ou mínimo porque ainda tem a possibilidade de recorrer ao mercado internacional com a credibilidade que o FMI lhe vai emprestar, já que Angola ainda não está sob resgate e tem margem de endividamento”.

Quanto às condições do financiamento, Heitor explica que os padrões do FMI são invariáveis para qualquer país.

“Entra no pacote sempre o IVA, o congelamento dos salários com uma série de medidas de austeridade e rigor dos quais não se pode fugir”, lembra aquele consultor que defende que os negociadores angolanos “devem é fazer bem a tarefa de casa o diagnóstico interno, para que os cortes não sejam tão profundos e que se façam de forma paulatina”.

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