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Oito armas ilegais foram apreendidas nas duas últimas semanas em Nampula

  • Faizal Ibramugy

Autoridades relacionam o aumento dos crimes a mão armada com a posse ilegal de armas e também ao facto de elementos das forças de segurança fazerem parte de grupos criminosos

Os índices de criminalidade praticada com o recurso a armas de fogo têm estado a aumentar nos últimos dias na província Moçambicana de Nampula.

Embora se desconheça a origem das armas usadas nessas incursões, muitos sectores da sociedade moçambicana associam este aumento as actividades do crime organizado. Acredita-se que haja membros das Forças Armadas de Defesa Nacional e agentes da polícia que se aliam às redes criminais, a quem fornecem seus instrumentos de trabalho, neste caso, as armas de fogo.

Porém, um outro grupo tem estado a dizer que ainda há muitas armas na posse dos civis.


Miguel Bartlomeu, porta-voz da Policia em Nampula diz que em função daquilo que são as ocorrências políciais nos últimos tempos, pode-se afirmar que há ainda muita arma fora do controlo das instituições que zelam pela segurança e tranquilidade públicas.

Durante as últimas duas semanas, a Polícia em Nampula recuperou oito armas de fogo, dentre as quais, sete pistolas do tipo macarove e uma AKM.

As Armas estavam a ser usadas para a prática de diversas actividades criminais, destacando-se, assaltos a residências e a pessoas descritas como de posses.

Segundo soube a VOA, sete das oito armas de fogo foram retiradas do Paiol de Nacala, local onde trabalham dois dos três elementos da quadrilha agora a contas com a polícia.

Em Moçambique o uso e porte ilegal de armas de fogo é crime e a polícia diz-se preocupada com estas situação cada vez mais preocupante. Por isso lança apelos para a colaboração popular, nomeadamente através de denúncias.

Importa referir que após a assinatura do acordo de paz em 1992, muitos esconderijos de material bélico usado na guerra civil dos 16 anos que colocou frente a frente tropas governamentais e os da Renamo, ficaram por ser localizados e as armas que lá se encontravam desactivadas, acreditando-se que são muitas dessas armas de fogo que se encontram nas mãos de civis.

Nesta perspectiva, o Conselho Cristão de Moçambique que integra várias organizações religiosas, concebeu em 1996 uma iniciativa designada TAE (Transformação de Armas em Enxada), em que uma criança que entrega material de guerra recebe material didáctico. Se for uma mulher tem em troca uma máquina de costura. No caso dos homens estes recebem em contrapartida alfaias agrícolas.

Não tivemos acesso aos relatórios actualizados deste programa, uma vez que a tentativa de entrevistar uma pessoa ligada àquela organização religiosa em Nampula redundou num fracasso. Porém sabemos que desde que o programa, de Troca de Armas em Enxada esta em vigor foi possível recolher 600 mil armas de fogo em alguns pontos do país.

Para cidadãos entrevistados pela VOA, falar da posse ilegal de armas de fogo, vinte anos depois dos Acordos Gerais de Paz é assunto preocupante.

Para José Henriques Lopes esta situação vem confirmar por um lado que o governo perdeu o controlo deste país e por outro, mostra que Moçambique é um país ingovernável. Aliás segundo ele “as pessoas já não confiam nas instituições de administração da justiça e vêm as armas como o instrumento que lhes possa permitir fazerem justiça pelas suas próprias mãos”.

A nossa reportagem conversou também com Justino Cardoso artista gráfico. Em entrevista à VOA Justino disse que a posse e a desenfreada utilização de armas de fogo em Nampula é resultado do sistema governativo em curso. Porque como disse “o sistema capitalista aplicado num país pobre, sai tudo mal”. Segundo o artista, o sistema capitalistas abre espaço para uma libertinagem que não ajuda os moçambicanos. Todos sonham com uma vida melhor e quando não encontram resposta e não conseguem realizar esse sonho, optam por práticas criminosas como forma de atingir essa meta.

Para contornar este cenário, segundo o nosso entrevistado é necessário que o país pense em criar uma polícia cívica para regular a sociedade no sentido de respeitar as normais constitucionais.
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