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Nampula: Casos passionais causam vaga de suicídios

  • Faizal Ibramugy

Avenida principal de Nampula

Avenida principal de Nampula

“Eu preferi morrer assim do que andar baralhado. Morro para a minha mulher poder andar livremente”

Problemas sociais de variada espécie, agravados pelas traições conjugais estão a contribuir para o surgimento sistemático de casos de enforcamentos, na cidade de Nampula, conforme constatou a Policia da República de Moçambique.

De acordo com Inácio Dina, chefe de relações públicas no Comando Provincial da PRM, Nampula regista com regularidade, casos de suicídios de indivíduos, sobretudo do sexo masculino.

Dina escusou-se, entretanto, fornecer o número real de indivíduos que, nos últimos seis ou doze meses, tenham perdido a vida por enforcamento, mas revelou que na semana de Pascoa houve dois casos do género.

O primeiro caso, ocorreu no sábado, Dia da Mulher Moçambicana, no bairro periférico de Napipine e a vítima foi um professor e estudante universitário que, em vida, respondia pelo nome de Fernando
Manuel, de 46 anos de idade. Os familiares do malogrado confirmaram ter encontrado nos bolsos das suas calças uma carta que abordava situações relacionadas com conflitos conjugais, onde se lia, citamos:“Responsabilizem o meu funeral ao dono deste número (…), a minha
esposa conhece esse homem.”

Uma outra vítima de enforcamento foi um empregado doméstico, de 35 anosde idade, que em vida respondia pelo nome de Agostinho Luís. E para se livrar dos problemas deste mundo, Agostinho optou por sacrificar a sua própria vida, supostamente para deixar a esposa em paz.

“Eu preferi morrer assim do que andar baralhado. Morro para a minha mulher poder andar livremente”- consta da carta deixada pelo malogrado à família enlutada e, agora, na posse das autoridades policiais.

Comentando este triste cenário, o padre Benvindo Tapua, director da Rádio Encontro, propriedade da Igreja Católica, disse tratar de uma questão que requer um estudo aprofundado. Para Padre Benvindo, o problema de insegurança nos lares deve ser matéria de análise no contexto social, psicológico, político e económico.

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