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Namíbe: Ex-combatentes das FAPLA ameaçam sair à rua

  • Armando Chicoca

Manifestação na cidade do Namibe (Foto de Arquivo)

Manifestação na cidade do Namibe (Foto de Arquivo)

Os ex-combatentes sublinham que não é de papéis que se alimenta o homem que trouxe a paz em Angola

Mais de mil e quinhentos desmobilizados das extintas FAPLA, à luz dos Acordos de Bicesse,celebrados em Portugal,no ano de 1992, dizem estar apavorados com a situação social degradante por que passam com suas respectivas famílias.

Uma carta posta a circular, presumindo-se ser da autoria dos desmobilizados a que a Voa teve acesso, dizem que observam com desagrado e repulsa a listagem contendo seus nomes em vários documentos, como se de publicidade de novas encomendas de mercadorias para o mercado de consumo se tratassem,em nome dos apoios que nunca se concretiza.

"Nós, os desmobilizados de Cabinda ao Cunene queremos que sua Excelência o senhor Presidente de todos os angolanos, Eng.º José Eduardo dos Santos, e em particular comandante em chefe das extintas FAPLA, tome conhecimento deste facto, corrija este erro para que os desmobilizados das FAPLA também se sintam filhos da mesma pátria", lê-se na carta, posta a circular nas ruas da cidade do Namibe.

Os ex-combatentes sublinham que não é de papéis que alimenta o homem que trouxe a paz em Angola. Por isso, os antigos combatentes exigem do comandante em chefe das extintas FAPLA, ao Presidente da República José Eduardo dos Santos, a solução dos subsídios de desmobilização e o respectivo enquadramento dos ex-combatentes na caixa social das forças armadas.

O capitão Adriano João, dá a cara e fala do que sente, ao lado de seus companheiros de trincheira.Diz ele: "Sim,sim, nós tomámos conhecimento da circulação desta carta, aqui na Província, pois que de um tempo a esta parte as promessas feitas pelo governo nada se vê. Os nossos nomes pairam no ar como se fosse publicidade de produtos para o mercado. Hoje, muitos de nós vivemos muitas dificuldades sociais, pelo que esperamos que o Presidente da República deve pôr a mão nisso, nos ajudar na melhoria das nossas condições devida".

Aquele ex-combatente diz que os desmobilizados vão sair a rua se efectivamente as autoridades governamentais não resolverem o compromisso assumido internacionalmente com os desmobilizados,à luz dos acordos."Realmente, nós estamos exaustos com a situação. Há tempo de chorar e há tempo de rir. Se realmente as instâncias do governo não resolver, nós não vamos partir para uma greve violenta, mas,sim, por uma greve pacífica visando demonstrar o nosso descontentamento, o país e o mundo saber que estamos insatisfeitos. Era bom que antes das eleições, as nossas exigências fossem satisfeitas", desabafou, o capitão desmobilizado das extintas FAPLA.

Vundji Kambingano, também um dos desmobilizados das extintas FAPLA, cujo o nome dispensa comentário nas lides na 5ª região militar e nas trincheiras da batalha de Mulondo, Nehone e Kahama, na era dos bombardeamentos da aviação sul-africana, foi mais longe ao recuar no espaço e no tempo, apontando os métodos de recrutamento coercivos para as FAPLA, no tempo de partido único.
"Combati na 5ª região militar, na segunda e vigésima quinta brigadas - que superintende províncias da Huila, Cunene e Namibe. O mais engraçado é que naquele tempo de recrutamento, dizia-se que, quem completa 18 anos de idade, está abrangido pelo serviço militar obrigatório, não pode estudar, não pode trabalhar e não pode viajar, tudo bem. Hoje, depois de ter chegado a desmobilização, um individuo já com a idade superior aos trinta e cinco anos de idade, permitidos por lei para o primeiro emprego, não pode trabalhar porque não estudou, pela idade superior já não pode igualmente trabalhar, isto complica a minha vida e a vida dos meus companheiros de trincheira», disse

Acrescenta, reagindo que "quando nós nos encontrávamos no acantonamento, falava-se dos apoios do banco mundial e de outras instituições. Mas, até hoje, este dinheiro nunca chega, mas o que é isso afinal? Emprego não nos dão, dinheiro não nos dão, nossas compensações não nos dão, depois dizem que Angola país de maravilhas, mostrando prédios Kilamba, os prédios Kilamba são de estrangeiros, eu não vou lá, porque sei que nunca vão me dar um apartamento, todas as obras de casas da juventude, nenhum desmobilizado se beneficiou, então quem somos nós afinal? Só passamos como vento nê», retorquiu o então militar das extintas FAPLA.

O descontentamento atingiu as zonas rurais, onde os ex-combatentes das FAPLA, autóctones “Mucubais”, em retaliação desmobilizam populações locais para não aderirem as brigadas de registo e confirmação dos locais de votação das próximas eleições. Alguns destes ex-combatentes, manifestaram isto ao Secretario Provincial do partido do galo negro, Faustino Mumbika, durante a visita de trabalho partidário algumas comunas do Município do Virei.

"Conseguimos perceber, constatando que os cidadãos no Município do Virei, concretamente “Mucubais”demonstraram ter compreendidos o ambiente de democracia que Angola começa a ensaiar e sobretudo a forma como se dirigiam para nós, transmitindo de um lado o seu descontentamento pelo facto de que só são lembrados na fase de votação, de resto seus problemas ficam sempre a margem das promessas», confirmou o político do Galo Negro.

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