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Eleitores do Namibe dão nota baixa à oposição

  • Armando Chicoca

Fraco trabalho político e ausência de um discurso convincente o motivo para que a população eleitora tivesse decidido votar na continuidade

Insatisfeitos com a maioria absoluta no parlamento angolano, resultante das eleições de 31 de Agosto mercê da ausência do trabalho politico com as massas, os eleitores consideram desastroso o comportamento políticos dos partidos concorrentes, excepto a CASA-Coligação Eleitoral, que apesar de ter surgido há menos de três meses, no Namibe cativou a juventude e suplantou a UNITA, veterano na oposição angolana.


O nacionalista António Carlos Pinto, fundador da então MOZA e ex-preso politico pela UPA/FNLA, reagindo, disse que o fraco trabalho politico e ausência de um discurso convincente foi o grande motivo para que a população eleitora, no dia da reflexão tivesse decidido infelizmente votar na continuidade.

“De principio, pensávamos que tivesse havido fraude, mas não foi o caso, a população do Namibe decidiu votar no MPLA e a juventude na sua maioria decidiu votar na CASA-CE”, esclareceu.

Alguns eleitores e figuras emblemáticas na província, que dizem estarem agastados com o mau desempenho do trabalho político dos partidos na oposição consideram que enquanto não se ultrapassar esta apatia e acabar com o clientelismo e negócios escuros no seio dos partidos políticos, dificilmente o país conhecera a verdadeira democracia que se pretende em Angola.

“Como é que os partidos que não conseguiram mais de 500 votos nas províncias se qualificaram para o concurso eleitoral junto do tribunal constitucional, questionou João Mateus, da igreja católica, igualmente eleitor.

Questionados sobre a fraude eleitoral, alguns eleitores afastaram a hipóteses do espantalho nesta província.

“Desta vez não se fez sentir o espantalho da fraude, o partido no poder «MPLA» partiu com os dados estatísticos que ditavam o voto certo de seus militantes, em mais de cem mil, contra cento e sessenta e nove mil eleitores registados, passando a trabalhar nos votos flutuantes ou indecisos,. o que não aconteceu com outros partidos políticos concorrentes, que além de não possuir estruturas na base, nunca revelaram o numero de militantes que possuem” revelou Gregório Tchicolomwenho, a Voz de América.

Quanto as reacções, o Secretario provincial do Namibe da UNITA, Vitorino Ndunduma fechou-se “em copas” na sua residência, incomunicável com a imprensa e colegas daquele partido do galo negro, segundo os maninhos.

Na sede do “PRS” Partido de renovação Social, apesar do desaire, as portas continuam abertas aos cidadãos que procuram informar-se.

Falando para a VOA, o seu Secretario provincial, José Nguelessi apontou o não credenciamento de seus delegados de listas, o principio do mal, mas ainda assim, o PRS na província do Namibe continua a proceder a contagem paralela das actas em mão, para possível reclamação logo apois da divulgação dos resultados definitivos.

«Trabalhamos, mas o resultado parcial nos deixa bastante constrangidos, estamos desmoralizados, mas ainda temos esperança porque estamos a proceder a contagem paralela», reagiu o politico do PRS, José Nguelessi.

Já a CASA-CE, segundo o seu Secretario provincial Executivo, Daniel Joaquim Matias, regista um défice de 208 actas. Está a ser feito todo esforço no sentido de reaver estas actas junto da CPE, para se compulsar os dados divulgados.

“O que se divulgou ate aqui, corresponde exactamente os números contidos nas 283 actas em nossa posse.Falta-nos saber quantos votos obtivemos nas 208 actas que por razões alheias da nossa vontade nãos as temos, por isso estamos a pedir a Comissão provincial para que nos conceda estas actas, com vista a compulsarmos os dados, mas, está a ser difícil e nós acreditamos que nestas actas temos mais votos” replicou o politico da CASA-CE, no Namibe.

Quadros da Nova Democracia conformados com a extinção daquela coligação eleitoral da laranja politica, mas não se deixam levar pela tristeza do leite derramado. O Secretario para os assuntos políticos da nova Democracia, Manuel Ngunza Diawako, disse a voz de América que a extinção da nova democracia não é o fim político dos seus quadros daquela formação politica.

“Houve forças externas que contribuíram para a nossa derrocada mas enquanto pessoas e sujeitos, tudo faremos para que continuamos a dar o nosso melhor na democratização do pais, poderá não ser com a bandeira da laranja mas participar na politica de outra forma.

O MPLA, prepara passeata para o próximo sábado em prol da vitoria eleitoral de 5-0, no Namibe. A Casa-CE apesar de suplantar o partido do Galo Negro, ao destacar-se em segundo lugar e a UNITA em terceiro, matematicamente, não atingiu a meta que lhe permitisse colocar um deputado no parlamento nacional.

Ao passo que a UNITA, depois de ter eleito um deputado para o circulo provincial em 1992, em 2008, na conturbada fraude eleitoral, ficou de jejum, repetindo-se o mesmo nas gerais de 2012.

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