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Nações Unidas usam a internet para promover a defesa dos albinos

  • Amancio Miguel

Aly Faque

Aly Faque

Músico moçambicano Aly Faque diz que a iniciativa vai ajudar a desfazer preconceitos.

O Escritório de Direitos Humanos das Nações acaba de lançar uma página na internet dedicada à questão do albinismo. A página tem o nome "Pessoas com Albinismo: Não são fantasmas, são seres humanos".

A página apresenta informação detalhada sobre o albinismo, uma condição que é ainda "profundamente mal compreendida", tanto do ponto de vista social quanto médico, diz a organização.

No site, é explicado que o albinismo é uma condição rara, genética e não contagiosa, caracterizada pela falta de pigmentos na pele, nos cabelos e nos olhos. E que ambos os pais necessitam ter o gene do albinismo para que o mesmo seja passado aos seus filhos, ainda que os pais nunca tenham apresentado a condição.

Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que na África Subsaariana uma entre 5 mil ou 15 mil pessoas possa ser albina. Na Europa e nos Estados Unidos, a taxa é de uma entre 20 mil pessoas.

Na nova página são também apresentadas histórias de 12 personalidades, entre pessoas com albinismo e profissionais que trabalham pelos albinos. Uma dessas personalidades é o maliano Salif Keita, que inspirou o moçambicano Momad Aly Faque a usar a música para superar a estigmatização.

Aly Faque espera que a nova página contribua para a valorização dos albinos, que são muitas vezes vítimas de preconceitos.

Tal como Salif Keita, Aly Faque, natural de Angoche, província de Nampula, no norte de Moçambique, viveu isso na pele. “Quando nasci, fui desprezado pelo meu pai. O irmão da minha mãe deitou-me fora, fui apanhado e devolvido para as mãos da minha mãe. Outro tio disse-me para sair da casa do meu padrasto para ele ficar à vontade”.

Mas o desprezo e os mitos associados ao albinismo não impediram Aly Faque de seguir as artes, sendo hoje um dos mais populares músicos de Moçambique, com seis discos no mercado e vários prémios.

Para ele, é importante ser firme. “Os albinos não devem cair no desespero. Devem lutar pelos seus ideais. E para os que continuam a discriminar digo que os albinos não são fantasmas, são seres humanos e merecem o respeito, tal como eles respeitam as outras pessoas”, explica.

A página "Pessoas com Albinismo: Não são fantasmas, são seres humanos" está no endereço http://albinism.ohchr.org/ e foi concebida em cores neutras para facilitar a leitura por pessoas albinas.

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