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Julgamento de Mubarak vai prosseguir à porta fechada


Imagem do painel que está a julgar o ex-presidente Mubarak e o seu ministro do Interior, Habib Hadly.

Imagem do painel que está a julgar o ex-presidente Mubarak e o seu ministro do Interior, Habib Hadly.

A completa proibição da transmissão do julgamento - até ser pronunciada a sentença - parece contradizer a promessa feita pelo governo militar de efectuar um julgamento aberto e transparente

O antigo presidente do Egipto, Hosni Mubarak, vai ser julgado juntamente com o seu ministro do Interior, numa junção de casos que foi exigida por manifestantes anti-governamentais. Entretanto, o juiz que está a apreciar o caso anunciou que as futuras audiências não serão transmitidas em directo pela televisão.

O juiz Ahmed Rifaat durante o julgamento.

O juiz Ahmed Rifaat durante o julgamento.

O juiz Ahmed Rifaat disse, esta segunda-feira, que quando o julgamento recomeçar, no próximo dia 5 de Setembro, os procedimentos terão lugar à porta fechada, uma decisão que o magistrado afirma ser tomada no interesse do público.

Eram esperadas limitações logo que fossem iniciados os depoimentos das testemunhas. Mas, a completa proibição da transmissão do julgamento - até ser pronunciada a sentença - parece contradizer a promessa feita pelo governo militar de efectuar um julgamento aberto e transparente.

Menos controversa foi a decisão do juiz de combinar num só os casos de Mubarak e do seu ministro do Interior, Habib Adly. Apoiantes e opositores do antigo presidente saudaram a iniciativa, com a promessa de se facilitar o andamento do processo, em termos de provas e de testemunhos.

Ambos os réus se declararam não culpados das acusações de que terão ordenado a matança dos manifestantes, durante os levantamentos populares anti-governamentais do início do ano.

Se forem considerados culpados, Mubarak e Adly poderão ser condenados à pena de morte.

Pela segunda vez, Mubarak compareceu em tribunal, transportado numa maca. Os seus filhos Gamal e Alaa, que rejeitaram acusações de corrupção contra si formuladas encontravam-se ao lado do pai.

A imagem do antigo presidente do Egipto, agora com 83 anos de idade, confinado a uma jaula metálica colocada na sala do tribunal, chocou os seus apoiantes que se aglomeravam no exterior do edifício.

Selwa Assoubi, um advogado cairota, está convencido de que o tribunal irá decidir-se a favor de Nubarak, que ele considera ser um herói.

Assoubi afirma que o antigo presidente não actuou como na Síria e na Líbia, acrescentado que “Mubarak abandonou o poder com muita dignidade”. Mas, outros discordam, como é o caso de Fawzi Ashour, que deseja que seja aplicada a pena de morte a Mubarak.

Diz ele que “um homem que trai o seu país – que mata – não tem o direito de viver”! Ashour encontrava-se frente ao edifício do tribunal, ostentando uma fotografia do seu filho Mohammed, de 13 anos de idade, que foi uma dos mais de 800 pessoas mortas durante o levantamento popular no Egipto.

O julgamento está marcado para 5 de Setembro, a seguir ao mês Santo do Ramadão.

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