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MPLA e UNITA mantêm braço-de-ferro sobre Bornito de Sousa

  • Manuel José

Mulher vota na capital Luanda nas eleições parlamentares de 2012

Mulher vota na capital Luanda nas eleições parlamentares de 2012

Em causa, permanência do cargo de ministro da Administração do Territorial e candidato a vice-presidente

O MPLA, no poder, e a UNITA, na oposição, continuam a esgrimir argumentos sobre a incompatibilidade ou não de o actual ministro da Administração do Território Bornito de Sousa manter-se no cargo depois de ter sido escolhido para número dois da lista do MPLA nas eleições de Agosto e, por conseguinte, candidato a vice-presidente.

Os deputadosMihaela Webba, da UNITA, e João Pinto, do MPLA, ambos juristas, adicionaramnovos argumentos a debate no qual o implicado Bornito de Sousa já disse que não vai demitir-se.

Webba analisa duas vertentes sobre o mesmo tema: “De um lado o jurídico, o Tribunal Constitucional que ajudou a confundir mais o processo quando interpretou erradamente, na visão da UNITA, que o Ministério da Administração do Território (MAT) tinha sim competência para organizar o processo do registo eleitoral e, por outro lado, a vertente ética e moral”, com o partido da oposição a entender ser “imoral Bornito de Sousa continuar a gerir o processo eleitoral”.

''Moralmente é censurável que alguém que é parte interessada n um processo esteja a controlar da forma como o faz o Dr, Bornito de Sousa, embora não haja incompatibilidade do ponto de vista jurídico, mas sim está em causa a transparência, a lisura do processo que já começou mal”, continua Webba, para quem “temos um jogador que é arbitro ao mesmo tempo a decidir quem deve ou não deve ser eleitor''.

A deputada da UNITA denúncia muitos vícios no processo, como cidadãos que só completam 18 anos em 2018 que estão a ser registados, cidadãos estrangeiros estão a ser registados, mortos que não estão a ser retirados do processo.

Por seu lado, o também jurista e deputado pelo MPLA João Pinto refuta as alegações da colega parlamentar por serem, “sem fundamento nem lógica”.

''Este discurso é dos mesmos políticos de sempre, que invocam os mesmos argumentos da fraude, discurso repetitivo, as circunstâncias anteriores que levavam a desacreditar o Presidente e caíram por terra, são discursos sem fundamento sem lógica'', advoga Pinto que recorreu a exemplos de outras realidades para justificar a permanência de Bornito de Sousa no MAT.

''O ministro do Interior em França do Governo de Holland foi candidato as eleições, em 2012 o actual ministro da Administração do Território foi candidato a deputado e era ministro da Administração do Território, o ser número 2, número 50 ou número 1 não impede de exercer outras tarefas, quem controla, quem gere as questões eleitorais não é o MAT'', concluiu João Pinto.
Bornito de Sousa foi confirmado pelo MPLA como o número dois da lista a deputados no pleito de Agosto e dirige o Ministério da Administração do Território quem coordena o processo de registo e actualização do processo eleitoral.

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