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Organização Privada Ajuda Meninos da Rua em Maputo

  • Francisco Júnior

Abdul Fakir com um grupo de crianças

Abdul Fakir com um grupo de crianças

Eugénio Nhabanga vive na rua. Diz que prefere assim, por causa dos maus tratos. Passa as noites ao relento. Dorme no chão. Mal se cobre. Não tem o que vestir.

Eugénio Nhabanga nasceu em Maputo. Tem 13 anos de idade. A sua mãe faleceu já vários anos. O seu pai reside na Machava-Socimol, um bairro periférico da cidade da Matola, arredores da capital moçambicana.

Apesar de ter o pai vivo, Eugénio Nhabanga vive na rua. Diz que prefere assim, por causa dos maus tratos. Passa as noites ao relento. Dorme no chão. Mal se cobre. Não tem o que vestir. Faz pequenos trabalhos no Mercado Central, na parte baixa da cidade de Maputo. Recolhe lixo, varre e, em troca, recebe, de cada vez que faz o trabalho, cinco meticais, cerca de quinze cêntimos de dólar.

Eugénio Nhabanga não vai à escola. Parou de estudar na quinta classe. Diz que gostaria de voltar aos bancos da escola, mas não tem condições. Quando for grande, quer ser mecânico, mas, para já, tem um sonho.

E como esta criança de treze anos, muitas outras. Muitas que, por diversos motivos, fogem para as ruas e buscam alternativas de vida, fazendo o que podem para sobreviver.

A Meninos de Moçambique é uma Associação não-governamental. Foi criada em 1995 e está baseada em Maputo. A sua vocação é prestar assistência humanitária. Auxílio de natureza médica, escolar e de formação vocacional, sobretudo.

Para a realização das suas actividades, a Meninos de Moçambique conta com diversos parceiros. Sobretudo estrangeiros, recebendo, por ano, uma média de 200 a 380 mil dólares americanos. Neste momento, o seu forte é apoiar crianças de e na rua.

Crianças de rua, que, apesar de tudo, já não são tantas como no período que se seguiu ao conflito armado, em 1992, como referem Abdul Remane, Oficial de Programas da Associação Meninos de Moçambique.

Se entre os anos 95/97, a Meninos de Moçambique assistia entre quatrocentas a quatrocentas e cinquenta crianças de rua, de há dois anos a esta parte, assiste entre duzentas a duzentas e cinquenta. São crianças só da cidade de Maputo.

A Meninos de Moçambique identificou pelo menos trinta locais onde, na capital do país, vivem duzentas e quarenta e uma crianças de rua. Crianças que vivem uma situação difícil.

Abdul Remane é um dos responsáveis de Programas da Meninos de Moçambique.

O trabalho infantil é uma realidade, é contra a lei, mas é um fenómeno difícil de combater, como reconhece Abdul Faquir, Director-Geral da Meninos de Moçambique.

E é para ajudar que a Meninos de Moçambique vai abrir dois centros, em duas áreas periféricas de Maputo; um na Luís Cabral e outro na Polana-Caniço.

Centros abertos, com capacidade para acolher, por turnos, entre cinquenta a cento e cinquenta crianças que irão aprender várias coisas.

Abdul Faquir, Director-Geral da Meninos de Moçambique, uma Associação que apoia crianças desfavorecidas, entrevistado pela Voz da América, e a falar aqui dos projectos de ajuda a uma das mais vulneráveis faixas da sociedade moçambicana.

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