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Empreiteiros moçambicanos sentem-se lesados

  • Simião Pongoane

85% das empreitadas nacionais faliram técnicamente pondo em risco mais de 82 mil postos de trabalho. Maioria dos projectos são adudicados portugueses chineses

As empresas moçambicanas de construção civil estão a perder a corrida no processo de adjudicação de obras públicas em Moçambique, a favor de empreiteiros estrangeiros, sobretudo portugueses e chineses.

Os dados são mesmo sombrios: em 2010 estavam registadas cerca de duas mil e 740 empresas de construção civil, mas hoje, dois anos depois, apenas quatrocentas e 39 renovaram os seus alvarás.

Os dados indicam ainda que 85 por cento das empreitadas nacionais faliram tecnicamente, pondo em grande risco mais de 82 mil postos de emprego.


A Federação Moçambicana de Empreiteiros diz que embora reconheça as regras de concorrência numa economia de mercado, não faz sentido que todas as grandes obras de construção de infra-estruturas públicas sejam adjudicadas aos estrangeiros.

Só na cidade de Maputo e arredores está em curso a construção de cinco mil casas e um grande edifício na presidência da República. O trabalho está sendo executado por empreiteiros chineses.

“Nós queremos participação, na execução das obras, em princípio podemos falar de exclusividade, porque são obras que podemos considerar monumentos nacionais: edifício da presidência da República para acolher reuniões do Conselho de Ministros e reabilitação do Ministério das Obras Públicas”, disse um empresário moçambicano.
Mas a Federação reconhece que os empreiteiros estrangeiros têm musculatura para lidarem com obras de grande engenharia, só que exigem participação nos projectos adjudicados para ganharem experiência.

O Ministro das Obras Públicas e Habitação, Cadmiel Muthemba, considera que há certas obras em que as empresas nacionais não podem fazer, por falta de capacidade técnica.

“Vamos ver se elas podem participar como subempreitadas para ganharem experiência”, salientou.

Os chineses e portugueses dominam o sector de construção civil em Moçambique, deixando os donos de casa sem espaço por alegada falta de capacidade técnica.
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