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Moçambique: Turismo sofre com instabilidade


Camião carbonizado perto de Nampula

Camião carbonizado perto de Nampula

O Parque Nacional da Gorongosa, cujos limites confinam com zonas de influência da Renamo, registou uma quebra no número de visitantes rondando os 80 por cento.

Contrariando o discurso das autoridades governamentais, operadores turísticos em Moçambique dizem que a tensão político-militar que se vive no país, está a ter um impacto negativo no turismo, tendo alguns diminuído em cerca de 30 por cento o preço de estadia em estâncias turísticas.
Vários operadores contactados pela Voz da América queixaram-se de cancelamentos de reservas, representando um golpe, sobretudo para a indústria hoteleira, tal como afirmou Faruk Hadid, do Hotel Residencial, em Maputo.
Faruk real,cou que “aqui no Residencial, tivemos uma redução de quase 90 porcento do número de hóspedes”.

Perante a situação de tensão política, os turistas ficam sempre com dúvidas e acabam preferindo não arriscar, deixando as estâncias turísticas numa situação complicada. Maimuna Abdul, do Nacional, diz que das cerca de meia centena de quartos, houve casos em que apenas cinco é que estavam ocupados.

O gerente Issufo, do hotel Royal, diz que a costa moçambicana oferece aos turistas, por exemplo de mergulho, visões únicas do mundo subaquático, mas, devido à tensão política, o número de visitantes reduziu drasticamente. Segundo referiu, a redução foi de cerca de 30 porcento.

Mas o director nacional do turismo, Martinho Muatxia diz que o quadro não é tao negativo como isso, porque em Inhambane, durante as festas do Natal e de fim do ano, havia muitos turistas em estabelecimentos hoteleiros, o que, no entanto, é desmentido por operadores locais.

“Em Inhambane, a procura de estâncias turísticas durante a quadra festiva esteve muito aquém das expectativas”, disse um operador.
Manuel Manhça, gerente do Hotel Monte Carlo, também diz que o número de visitantes no seu estabelecimento baixou muito.

Entretanto, sabe-se que o Parque Nacional da Gorongosa, cujos limites confinam com zonas de influência da Resistência Nacional Moçambicana-Renamo, onde tem havido confrontos, registou uma quebra no número de visitantes, que ronda os 80 porcento.

Nos primeiros nove meses de 2013, Gorongosa teve 900 visitantes, um número inferior em relação a igual período do ano anterior. Em 2011, ano de maior procura, o Parque Nacional da Gorongosa recebeu 7500 turistas, mas em 2012, quando o líder da Renamo se mudou para a região, o número de entradas caiu para 6500 visitantes.

Em 2011, a contribuição do turismo para as receitas do Estado foi de 12 milhões de dólares, valor que poderá baixar por causa da tensão politica.

Ramos Miguel, VOA-Maputo
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