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Moçambique poderá ser afectado por redução da ajuda americana ao exterior

  • João Santa Rita

África é actualmente o maior recipiente de ajuda americana e Moçambique é o quarto beneficiado

Moçambique poderá ser um dos países afectados pela proposta de redução da ajuda externa dos Estados Unidos, depois de, em 2015, ter sido o quarto maior recipiente de ajuda em África, de acordo com dados oficiais americanos

A proposta de orçamento apresentada pela Casa Branca na quinta-feira, 16, que prevê grandes reduções em gastos com a ajuda exteerna, provocou reacções tanto nos Estados Unidos como no estrangeiro.

O Presidente Donald Trump quer aumentar os gastos militares e com as forças policiais, reduzindo a ajuda externa e contribuições a organizações internacionais como as Nações Unidas.

A ajuda externa dos Estados Unidos é apenas um por cento do total do orçamento americano, mas em termos absolutos está muito à frente de qualquer outra nação.

Em 2014, os Estados Unidos gastaram 32.730 milhões de dólares em ajuda externa,ou seja 24 por cento do total de ajuda à escala mundial.

Em 2015 o valor subiu para 49.000 milhões de dólares.

Um dado interessante é que África tem vindo a aumentar a percentagem que recebe da ajuda americana.

Em 1995, o continente africano recebia apenas 11 por cento do total da ajuda americana.

No espaço de 20 anos o volume triplicou.

Em 2015, dados de um estudo do congresso americano indicam que África tornou-se no maior recipiente de ajuda americana, com 32 por cento do total, acima dos 31% da ajuda a países do Médio Oriente.

Neo mesmo ano, Moçambique foi o 13o. maior recipiente de ajuda americana com um total de 457 milhões de dólares.

Em África, apenas o Quénia, Nigéria e Tanzânia receberam ajuda superior à fornecida a Moçambique.

A proposta orçamental de Donadl Trump afirma que a ajuda económica e de desenvolvimento será dirigida “a países de maior importância estratégica para os Estados Unidos”, mas não menciona regiões ou países.

Há que notar, contudo, que a proposta orçamental mantém os recursos suficientes para programas de vacinação de crianças, contra a tuberculose e combate à malaria e HIV/SIDA como o conhecido programa de emergência de combate à Sida, o PEPFAR.

O director do orçamento Mick Mulvaney afirmou, no entanto, que haverá reduções na ajuda externa e reiterou que o presidente “disse centenas de vezes durante a campanha que vamos gastar menos dinheiro com as pessoas no exterior e mais com as pessoas no nosso país”.

Grupos de ajuda humanitária através do mundo afirmam, por seu lado, que a redução da ajuda externa americana ameaça as vidas das pessoas mais vulneráveis.

Liz Schrayer, da US Global Leadership Coalition, disse à VOA que o isolamento do mundo em desenvolvimento poderá afectar a América e recordou que “na última década houve um aumento de 70 por cento da sua participação no desenvolvimento económico”.

“Esses países são aqueles que poderão estar mais envolvidos no comércio e na exportação de bens e serviços americanos”, lembrou.

“Pode ser que o mineiro de carvão (americano) não pense sequer no que se está a passar em África, mas 95 por cento dos consumidores do mundo vivem fora da América e é aí que as nossas exportações e bens e serviços vão ajudar a investir na América”, acrescentou Liz Schrayer.

A proposta orçamental do Presidente Trump propõe também reduzir fundos para as Nações Unidas e organizações multilaterais como o Banco Mundial.

Os Estados Unidos pagam actualmente 22 por cento do orçamento da ONU e 25 por cento do orçamento de manutenção de paz da organização.

A proposta orçamental vai agora para o Congresso onde deverá sofrer alterações.

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