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Madeireiros contra prorrogação do defeso em Moçambique

  • Alfredo Júnior

Governo anuncia mais três meses da "Operação Tronco"

Madeireiros moçambicanos mostram-se contra a extensão por mais três meses do defeso na exploração florestal decretada pelo Governo, após inúmeras irregularidades detectadas aquando da "operação Tronco".

O ministro da Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural Celso Correia reafirmou que a extensão do período de defeso por um prazo de três meses pretende criar uma base sólida que permita definir um novo modelo de exploração florestal.

A "Operaçao Tronco" foi lançado a 1 de Março e detectou irregularidades graves em 75 por cento dos 120 estaleiros de exploração de madeira fiscalizados, tendo sido apreendidos 120 mil metros cúbicos de madeira ilegal.

Perante estas irregularidades, o Executivo decidiu prolongar por mais três meses a interdição de corte de madeira nas florestas do país.

"Estes três meses podem trazer mais coisas boas do que coisas menos boas. Não estou preocupado com a quantidade (de madeira apreendida) não estou preocupado com as multas, o mais importante é nós construirmos a cadeia de valores do sector florestal", disse o ministro da Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural, Celso Correia.

Esta medida não colheu o agrado de todos os madeireiros que querem que a interdição abranja apenas aos infractores.

"Estão a tratar a todos como bandidos, e não é justo. O Mitader está a tomar medidas que têm sido corajosas, são dolorosas, mas se nós continuarmos a tentar fingir que queremos resolver, não vamos resolver", disse Afonso. Auto, explorador florestal.

Entretanto, o ambientalista João Massango considerou a medida oportuna, visto que os crimes florestais assumem contornos transfronteiriços.

Massango cita, como exemplo, a detenção no Malawi, em Novembro último, de madeireiros que faziam a exploração numa área fronteiriça disputada pelos dois países.

Para aquele especialistas, "o grande problema do nosso território é à falta de delimitação territorial, sabemos que nas províncias que fazem fronteira com os países do interland como Malawi e Zâmbia há este problema e quando se apercebe que Moçambique está a fazer a marcação cerrada através dos portos, através dos agentes do Estado, eles tiveram que mudar a táctica".

Moçambique perde anualmente perto de 200 milhões de dólares com o contrabando no sector florestal.

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