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Moçambique: Igreja católica preocupada com potencial de violência

  • Ramos Miguel

As eleições gerais em Moçambique vão ter lugar pouco tempo depois de o Governo e a Renamo terem assinado um acordo sobre a cessação das hostilidades.

O bispo auxiliar de Maputo, João Carlos Nunes, diz que há preocupação relativamente ao anúncio dos resultados das eleições de 15 de Outubro próximo em Moçambique, porque não se sabe se os principais intervenientes no processo estarão preparados para aceitar a vontade do eleitorado.

Estas são, talvez, das mais importantes eleições gerais na história de Moçambique e cujos resultados são imprevisíveis.

Dom Carlos Nunes diz que uma das inquietações que se tem nestas eleições é em relação ao período de divulgação dos resultados, afirmando ser necessária uma preparação para que, de forma tranquila, os mesmos sejam aceites, sobretudo pelos principais partidos.

“Será que estão preparados, quer uns quer outros intervenientes no processo eleitoral, para, de forma pacífica e responsável assumir aquilo que será a vontade pública”, interrogou-se Carlos Nunes.

As eleições gerais em Moçambique vão ter lugar pouco tempo depois de o Governo e a Renamo terem assinado um acordo sobre a cessação das hostilidades.

Para aquele dirigente religioso, estas eleições são muito importantes porque marcam uma mudança em todos os sentidos e ocorrem depois de um processo de negociação, o que mostra a necessidade de diálogo permanente, “porque a paz e reconciliação é um processo contínuo”.

Refira-se que como forma de credibilizar ainda mais este processo, o Observatório Eleitoral, uma plataforma que integra várias organizações religiosas e da sociedade civil, está a criar condições para que haja uma contagem paralela dos votos.

Nesse sentido, existe já uma equipa de 2500 observadores, só do Observatório Eleitoral, que estarão no terreno, sem contar com os da União Europeia, Commonwealth, Carter Center, e SADC, entre outros.

Está também em criação uma Sala de Observação Eleitoral Conjunta, constituída não apenas por representantes do Observatório Eleitoral, como também dos órgãos eleitorais, nomeadamente a Comissão Nacional de Eleições, o Secretariado Técnico de Administração Eleitoral-STAE, para além da Policia, para monitorar e resolver localmente, qualquer situação que ocorrer durante a votação, apuramento e anúncio dos resultados.

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