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Feminista espanhola expulsa de Moçambique por participar numa manifestação

  • Alfredo Júnior

Moçambique Maputo Av Eduardo Mondlane ( Foto João Santa Rita)

Moçambique Maputo Av Eduardo Mondlane ( Foto João Santa Rita)

Governo diz que violou a lei e interdita a sua entrada no país durante 10 anos.

Uma feminista espanhola, Eva Moreno, foi deportada de Moçambique por ter alegadamente participado numa manifestação ilegal promovida por algumas organizações da sociedade civil em protesto contra a obrigatoriedade de indumentária das alunas das escolas primárias e secundárias.

Advogados e membros do Fórum Mulher procuraram, em vão, impedir que esta decisão do Ministro do Interior fosse executada pelas autoridades migratória.

A 18 de Março,feministas moçambicanas procuraram organizar uma acção de protesto contra a decisão do Ministério de Educação que determinou que as raparigas deveriam passar a usar "maxi saias", ou seja saias compridas até aos calcanhares, porém a mesma foi abortada.

No entanto, duas cidadãs estrangeiras, uma brasileira e outra espanhola, foram detidas e posteriormente libertadas pela polícia.

A brasileira, que estava em serviço no país deixou Moçambique no fim da sua missão, mas a cidadã espanhola Eva Moreno, que vivia em Maputo, foi chamada à Direcção de Migração, onde na tarde desta terça-feira, 29, recebeu a informação de que seria deportada.

No entanto, após longas horas no aeroporto internacional de Maputo, a sua deportação foi inviabilizada devido à intervenção de uma procuradora.

Eva Moreno esteve na procuradoria, aonde foi apresentada a documentação que sustenta a sua deportação.

No aeroporto, representantes do Movimento de Mulheres e organizações da sociedade civil procuraram inverter esta decisão, tendo a advogada da cidadã espanhola submetido junto às autoridades uma providência cautelar para suspender a decisão do Ministro do Interior, o que não procedeu.

Iveth Mafundza, activista dos direitos das mulheres e advogada, diz não perceber os contornos deste processo.

Quem também não percebe os contornos deste processo é Graça Samo, do Fórum Mulher, que considera a decisão uma forma de reprimir a quem defende os direitos das mulheres.

Em lágrimas, mas orgulhosa por lutar pelos direitos da mulher, Eva Moreno disse que não cometeu nenhum crime que mereça a sua expulsão e afirmou que apenas pretendia tomar parte numa peça teatral em defesa dos direitos da mulher.

Entrada interditada por 10 anos

No despacho do ministro do Interior a que a VOA teve acesso, Jaime Basílio Monteiro afirma que a espanhola "envolveu-se activa, aberta e publicamente numa manifestaçao ilegal, promovida por algumas organizações da sociedade civil, alegadamente em protesto contra obrigatoriedade de uso, nas escolas primárias e secundárias, de saias cujo comprimento deve ultrapassar os joelhos".

Para Monteiro, Eva Moreno "violou de forma clara e manifesta a lei", o que o levou a decidir a sua expulsão bem como a "interditar a sua entrada no país durante dez anos".

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