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Dívida moçambicana suscita debate sobre responsabilização

  • Ramos Miguel

Especialistas advertem para perigo de especulação.

Em Moçambique, cresce a expectativa acerca de se saber o que é que o Governo vai fazer para garantir uma boa gestão da dívida pública, que ultrapassa os 11 mil milhões de dólares.

As opiniões, entretanto, divergem quanto à responsabilização, havendo quem a considere necessária, argumentando que houve irregularidades na contratação da dívida.

Analistas consideram ser importante saber se haverá alguma responsabilização sobre esta questão, sobretudo se o endividamento é ilícito, se houve corrupção, porque são questões que não se compadecem com a impunidade.

O jurista Alexandre Chivale questiona se o facto de o Governo não ter informado a Assembleia da República que ia contrair essa dívida configura um crime.

"Qual é o crime que está aí?", interrogou-se.

O Instituto de Estudos Económicos e Sociais diz que a ida ao Parlamento é importante, mas critica o Governo por estar a preparar a população para a austeridade, que não é a solução para o problema da dívida.

Segundo analistas, não se trata de um problema da austeridade, mas de reformas que é preciso fazer, interrogando-se qual vai ser o lugar das empresas públicas e como é que o Governo vai lidar com o orçamento e com o crédito interno.

Por outro lado, há o sentimento de que o crédito interno está a ser usado de uma forma "muito perigosa, porque está-se usar dívida para pagar dívida, e isto é especulação e agiotismo e pode ser um mecanismo que vai criar uma situação mais perigosa".

Refira-se que a ida do Governo ao parlamento foi exigida tanto pela oposição como pela Frelimo, partido no poder.

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