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Analistas moçambicanos avisam que dívida pode prejudicar desenvolvimento

  • Ramos Miguel

A elevada dívida pública de 1.4 mil milhões de dólares não revelada pelo Governo de Moçambique vai afectar o desenvolvimento do país nos próximos anos, devido à prevista redução do investimento externo.

A opinião é do economista João Mosca.

A existência desta dívida fora das contas públicas foi reconhecida pelo porta-voz do Conselho de Ministros, Mouzinho Saíde, justificando-a com razões de segurança de infraestruturas estratégicas do país.

Com efeito, Saíde confirmou a existência de garantias prestadas pelo Governo a empréstimos concedidos àProIndicus, em 2013, no valor de 622 milhões de dólares e à Mozambique Asset Management, em 2014, de 535 milhões de dólares, a que se soma um terceiro crédito envolvendo o Ministério do Interior.

Este último trata-se de um crédito bilateral de 221 milhões de dólares e foi contraído entre 2009 e 2014.

Saíde justificou o empréstimo à ProIndicus com a necessidade de aquisição de meios militares para a segurança nas zonas económicas exclusivas, salientando que "no contexto em que a empresa foi criada, Moçambique enfrentava ameaças de segurança, tais como pirataria, emigração ilegal, narcotráfico e pesca ilegal".

Entretanto, para o economista João Mosca, a justificação do Governo "não é convincente porque há muitas coisas que não foram respondidas".

Mosca pergunta "por que não diz, por exemplo, quais são as taxas de juro, qual é a parte moçambicana, entre outras questões".

Para aquele economista, esta dívida vai comprometer todo o desenvolvimento de Moçambique nos próximos anos "porque neste momento, os volumes de cooperação já estão a baixar, o investimento está paralisado, não estão a ser feitos investimentos públicos importantes, pelo que nos próximos quatro anos, a situação económica vai piorar".

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