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Moçambique: Desempenho eleitoral de Simango aquém das expectativas

  • Ramos Miguel

Cartazes de Daviz Simango e do MDM colados pelas ruas de Maputo. Moçambique, Outubro 2014

Cartazes de Daviz Simango e do MDM colados pelas ruas de Maputo. Moçambique, Outubro 2014

Havia muita expectativa acerca de Daviz Simango e no seu partido, o MDM, nestas eleições, por causa dos resultados que obtiveram nas autárquicas de 2013.

Analistas dizem que a participação da Renamo e do seu líder, Afonso Dhlakama nas eleições gerais do passado dia 15 e o conservadorismo da maior parte dos moçambicanos em relação a mudanças políticas, afectaram negativamente o desempenho de Daviz Simango neste processo, que, segundo dados oficiais, é o menos votado dos três candidatos presidenciais.

Havia muita expectativa em relação a de Daviz Simango e ao seu partido, o MDM, nestas eleições, por causa dos resultados que obtiveram nas autárquicas de 2013, mas o seu trabalho deixou muito a desejar.

Eduardo Conzo, jornalista do Savana, diz que Simango não conseguiu cativar o eleitorado da Renamo, que devido à não participação deste partido nas eleições do ano passado, votou em massa no MDM, o que fez com que ficasse com quatro municípios: Beira, Quelimane, Nampula e Gurué.

Na sua opinião, "o eleitorado de Daviz Simango é o mesmo de Afonso Dhlakama. Aliás, Daviz já foi membro da Renamo, e quando as pessoas ficaram desesperadas por causa do desaparecimento de Dhlakama do cenário politico, foram para o MDM sobretudo quando das eleições autárquicas. Simango convenceu-se que esse eleitorado já era do MDM e não conseguiu consolidá-lo".

Apoiantes de Daviz Simango em Angoche. Moçambique 2014

Apoiantes de Daviz Simango em Angoche. Moçambique 2014

Entretanto, o politólogo Lázaro Mabunda, do Centro de Integridade Pública-CIP, instituição de promoção da boa governação, transparência e integridade, tem uma opinião diferente: é que os moçambicanos são muito conservadores em relação a mudanças políticas, sobretudo porque têm medo daquilo que aconteceu no mundo árabe, onde a mudança de regimes não trouxe estabilidade.

'Por isso é que nestas eleições, a ordem foi no sentido de se votar na continuidade da Frelimo na presidência da república, e nas legislativas votar num outro partido, sendo por isso que nas zonas urbanas, sobretudo em Maputo, o candidato da Frelimo teve mais de 6.000 votos em relação ao seu Partido e o MDM teve mais 6.000 a mais que o seu candidato, Daviz Simango. De facto, há este medo de mudanças por parte dos moçambicanos", realçou.

Referiu que esta atitude dos moçambicanos visa conferir um maior equilíbrio do parlamento.

Dados que têm sido divulgados pelo Secretariado Técnico de Administração Eleitoral indicam que o número de deputados da Frelimo no parlamento poderá diminuir ligeiramente.

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